“Barreiro: Uma Reserva com Gente e Natureza” – novo livro de Paulo Caetano e Joaquim Pedro Ferreira

“O Sapal do Rio Coina e a Mata Nacional da Machada, 400 hectares de natureza rodeada de cidades e fábricas, foram classificados como Reserva Natural Local do Barreiro. Esta classificação, a criação pelo município de uma área protegida de importância regional, é um sinal. Um sinal de empenhamento, uma vontade expressa em defender os valores naturais e culturais, bem como o património histórico e arqueológico, que todo este espaço ainda encerra”, lê-se na contracapa de Barreiro: Uma Reserva com Gente e Natureza, novo livro com o selo de qualidade da dupla Paulo Caetano (textos) e Joaquim Pedro Ferreira (fotos).

Foto de Joaquim Pedro Ferreira, em “Barreiro: Uma Reserva com Gente e Natureza”

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Fotógrafo da Natureza

A Arca tem o enorme prazer de apresentar mais um post convidado, desta vez a cargo do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, especialista em conservação do gato-bravo (Felis silvestris), com mestrado (2003) e doutoramento (2010) nesta temática. Ele é também um excelente fotógrafo da natureza. Por isso pedi-lhe que elegesse uma imagem entre as milhares que já tirou, e que nos contasse a história por trás dela. A foto eleita – fantástica – e a explicação encontram-se no próximo post. 

Foto cedida

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Desmond Morris também pinta!

Conhecia o zoólogo e etólogo Desmond Morris por ser autor do best-seller  O Macaco nú (1967). No livro lê-se: “Sou zoólogo e o macaco pelado é um animal. É, portanto, caça ao alcance da minha pena e recuso-me evitá-lo mais tempo, só porque algumas das suas normas de comportamento são bastante complexas e impressionantes. A minha justificativa é que, apesar de se ter tornado tão erudito, o Homo sapiens não deixou de ser um macaco pelado e, embora tenha adquirido motivações muito requintadas, não perdeu nenhuma das mais primitivas e comezinhas”.

Agora soube que também pinta. A boa notícia é que os seus quadros estão em exposição em Lisboa, na Galeria 1 do ISPA (Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida), até 21 de junho. Morris selecionou os 17 quadros que vieram para Lisboa e fez questão de incluir a obra The Gathering (2004), tríptico de homenagem às tentações de Santo Antão, de Hieronymus Bosch, em exposição no Museu Nacional de Arte Antiga.

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“Primavera Silenciosa”

Há 50 anos, em Junho, o jornal The New Yorker iniciou a publicação do livro que mudou a forma como olhamos para o planeta: Primavera Silenciosa (Silent Spring), cuja edição completa surgiu em Setembro de 62.

Nesta obra a escritora e bióloga marinha Rachel Carson (1907 – 1964) deu um grito imenso que acordou os EUA para a catástrofe ecológica que representava o pesticida DDT. Nela, Carson descreve pormenorizadamente os efeitos do DDT na cadeia alimentar, a acumulação nos tecidos dos animais, nos humanos e no ambiente, bem como a mortalidade causada em várias espécies benéficas, cujo canto desaparecera das pequenas vilas e aldeias rurais. Continue reading

Por que são as mulheres infiéis? (parte I de II)

A insatisfação sexual ou a educação podem explicar o adultério, mas há factores que são entendidos através da biologia evolutiva. Como todos os seres vivos, os humanos são produto de uma seleção que actua sobre os genes e escolhe os que contribuem para o sucesso reprodutor.

Aos homens, aparentemente, a infidelidade compensava, pois passavam um maior número de genes à próxima geração. Já a mulher, e durante muitos séculos, beneficiaria de ter um só companheiro, de estatuto social elevado, que garantisse o futuro dos filhos. A sociedade evoluiu, mas o Homo sapiens continua preso a um cérebro concebido para caçar, no caso do homem, e para recolher alimentos e cuidar de bebés, no caso da mulher (daí que eles sejam melhores a ler mapas e elas tenham mais facilidade em comunicar). Continue reading

A favorita de Nabokov

O Almirante Vermelho (Vanessa atalanta) é uma borboleta muito comum em Portugal. Mede 5,8 a 6,4 centímetros de envergadura, pertence à família Nymphalidae e deve o nome comum ao facto de o padrão das asas assemelhar-se às divisas dos almirantes nos Estados Unidos.

As larvas gostam muito de urtigas. Por isso, se desejar criar um ambiente que atraia este colorido insecto, não se esqueça de manter um cantinho no jardim para elas.

O escritor russo Vladimir Nabokov, autor de Lolita, era apaixonado por borboletas e incluía-as com frequência nos seus romances.

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Aos ombros de Whitman

Walt Whitman (1819-1892) é O poeta da natureza. Sem ele muito seria diferente. Faltariam liberdade à poesia, fundamentos aos ecologistas, irreverência aos anos 60, e até um interlocutor a Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa: “De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma”.

Leaves of Grass (Folhas de Erva, Assírio e Alvim, 2003), conjunto de poemas editado em 1855, é a sua obra que revela maior intimidade com a natureza. Eis um excerto do poema Song of Myself:

I think I could turn and live awhile with the animals… they are so placid and self-contained,
I stand and look at them sometimes half the day long,
They do not sweat and whine about their condition,
They do not lie awake in the dark and weep for their sins,
They do not make me sick discussing their duty to God,
Not one is dissatisfied… not one is demented with the mania of owning things,
Not one kneels to another nor to his kind that lived thousands of years ago,
Not one is respectable or industrious over the whole world.

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Os amigos da osga

Mais duas notas sobre as osgas. A primeira é que quando cresce uma cauda nova, esta apresenta um padrão uniforme e não listado (como se vê na imagem).

A segunda é que, apesar de inofensivas e de se alimentarem de insectos incómodos para nós, como moscas e mosquitos, as osgas são muito perseguidas.

É pois de louvar o projecto de voluntariado científico Salvem as Osgas, iniciado em 2009 pelo Conselho de Estudantes de Biologia de Évora (CEBE), que tem o propósito de estudar, monitorizar e conservar as populações eborenses de osga-turca e osga-comum. De então para cá já publicaram um trabalho científico na revista Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, realizaram um filme e editaram o livro A minha amiga osguita. Este livro é peça fundamental nas acções de sensibilização que fazem junto das crianças, nas escolas da região.

Outros olhares

Um “Post convidado” tem o propósito de mostrar outras perspectivas sobre a natureza. Assim, o texto e a foto que se seguem são do Paulo Caetano e contam as peripécias por que ele passou para captar a fantástica imagem de um quebra-ossos, publicada no livro Abutres de Portugal e Espanha.

O Paulo é autor de seis documentários, exibidos na RTP e na SIC, e de uma dezena de livros de etnografia e natureza, entre os quais está Cavalos Selvagens Ibéricos (Bizâncio), o mais recente. Além disso, conta com duas décadas como jornalista especializado em Ambiente e Conservação da Natureza. Colaborou com as revistas do Expresso, Público e Diário de Notícias, com as espanholas Cambio 16 e Península, com o e a Vida Mundial, além das revistas especializadas Fórum Ambiente e Ozono. Foi chefe de redacção da revista Focus e actualmente dirige a comunicação do grupo CUF.