Águia-pesqueira – no Alqueva e em Perth

A águia-pesqueira (Pandion haliaetus) é uma verdadeira cidadã do mudo: existe nos 5 continentes. É uma ave imponente, com 60 centímetros de comprimento e 1,65 metros de envergadura, que se alimenta exclusivamente de peixe.

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Conservação do lagarto-ágil na Grã-Bretanha

Há (pelo menos) duas boas razões para contar esta história: É um caso de sucesso de uma estratégia de conservação; revela o empenho e o trabalho em equipa de várias instituições e cidadãos.

A espécie em causa é o lagarto-ágil (Lacerta agilis) – em inglês, sand lizard, o que significa lagarto-da-areia –, que quase desapareceu durante o século XX no Reino Unido devido à destruição dos seus dois habitats de eleição: as dunas e as charnecas. O declínio foi assustador: extinção em 10 áreas de ocorrência; redução de 97%, 95% e 90% do efectivo populacional em Merseyside, Surrey e Dorset, respectivamente.

Lagarto-ágil (Lacerta agilis) criado no Zoo de Chester. Foto: Chester Zoo

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“Caminhada Conservação e Biodiversidade” – a Arca no Festival do Solstício

Amanhã, das 09:30 às 11:30, estarei em Santa Clara-a-Velha a orientar uma visita em parceria com Helena Ribeiro do Grupo MiraClara, engenheira sivicultora responsável pelo “projecto de controlo do acacial e valorização da vegetação ribeirinha”. O projecto é muito interessante, de difícil concretização, mas os resultados já estão à vista e terão repercussões tanto na saúde do rio e da biodiversidade, como no bem-estar das populações e economia local.

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Lince-ibérico em Vila Nova de Milfontes

No dia 8 de Maio um lince-ibérico (Lynx pardinus) foi fotografado por uma câmara activada por movimento numa zona de caça associativa, em Vila Nova de Milfontes. Trata-se de um macho chamado Hongo, nascido em Doñana em 2011. Contas feitas, Hongo palmilhou mais de 250 quilómetros.

Lince-ibérico (Lynx pardinus). Foto: Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico www.lynxexsitu.es

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Dia Mundial das Aves Migradoras (11-12 Maio)

Criado em 2006, o Dia Mundial das Aves Migradoras celebra-se no segundo fim-de-semana de Maio com o intuito de sensibilizar para a importância de proteger estas espécies e os seus habitats. Assim, várias actividades realizam-se um pouco por todo o mundo – para conhecer as propostas em Portugal visite o site do World Migratory Bird Day. 

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Gato doméstico: o exterminador

Nos Estados Unidos os gatos domésticos (Felis silvestris catus) matam (ainda) mais animais selvagens do que se pensava, conclui um estudo publicado no final de Janeiro. Os números são alarmantes: estima-se que os bichanos eliminem todos os anos entre 1,4 mil milhões e 3,7 mil milhões de aves e entre 6,9 mil milhões e 20,7 mil milhões de mamíferos. Os gatos sem dono causam a maioria destas mortes.

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Conservação do priolo em risco

O priolo (Pyrrhula murina) é a ave canora mais ameaçada da Europa e existe apenas na Serra da Trunqueira, na ilha de S. Miguel, Açores. No início do século XX era abundante, mas a perseguição movida pelos agricultores, descontentes com o apetite do pássaro por flores de laranjeira, e a perda de habitat provocaram fortes danos na população. Assim, à entrada do século XXI, existiam menos de 140 priolos e a espécie tinha estatuto de Criticamente em Perigo de extinção. Na última década, e por acção da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea), os números do priolo subiram para cerca de 1.000 indivíduos. Como?

Foto: Spea

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Jornalismo irresponsável

Em Portugal, jornalismo e Natureza têm relação difícil. É certo que já lá vai o tempo em que os meios de comunicação, sobre este tema, pouco mais noticiavam do que efemérides (extinção e descoberta de espécies) e efeitos das forças naturais, mas a maioria das reportagens sobre o património natural assenta em faits divers (nascimento de uma cria; animal que “saiu” do seu habitat e invadiu o espaço humano; etc..). A falta de treino em abordar o tema não justifica que, ao fazê-lo de forma mais “séria”, ponham-se de lado princípios éticos do jornalismo, como aconteceu numa recente reportagem da SIC Notícias (27 de Outubro)  intitulada “Aldeia em S. Pedro do Sul “aterrorizada” com ataques de lobos“. Continue reading

Rota do Almonda – “a Natureza a seus pés”

Sabia que se as burras ficarem mais de um ou dois anos sem engravidar deixam de conseguir fazê-lo? E que a fértil terra avermelhada da Serra de Aire e Candeeiros resulta do calcário que não foi completamente dissolvido? E sabia que nesta serra há dois rebanhos de cabras que trabalham em prol da conservação da natureza?

Estas foram algumas das curiosidades reveladas no passeio que encerrou o Festival do Almonda, que decorreu entre 15 e 18 de Novembro.

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Mega projecto de conservação arranca hoje no Reino Unido

A transformação de zonas húmidas em áreas agrícolas ao longo do século XX levou ao declínio de inúmeras espécies de aves e anfíbios. Hoje, no Reino Unido, inicia-se o processo oposto, e numa escala nunca vista na Europa. Assim, na Ilha de Wallasea, duas vezes do tamanho de Londres, os terrenos cultivados darão lugar a sapais, lagoas e pântanos, restaurando a paisagem que ali existia há 400 anos. Estes novos habitats serão santuário para dezenas de milhares de aves migratórias e de fauna marinha.

Foto: RSPB

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E se não houvesse pardais?

O pardal (Passer domesticus) dispensa apresentações. Damos como garantida a sua presença nas nossas cidades. Mas o que aconteceria se ele desaparecesse? O cenário parece pouco plausível. No entanto, foi exactamente o que aconteceu em Londres, Inglaterra.

Foto: Luís Miguel Fernandes

Se nas áreas rurais o efectivo da espécie diminui para metade desde os anos 70, nas cidades sofreu uma queda de 60%. Um estudo de 2002 realizado pela Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) – maior organização de conservação da natureza da Europa com 1 milhão de membros e 20 000 voluntários – concluiu que a ave estava praticamente extinta no centro da capital inglesa, onde anos antes era abundante. Na altura 10 000 londrinos participaram na iniciativa “Para onde foram todos os pardais?”. Agora, de 18 de Junho a 12 de Julho, os habitantes da cidade e várias ONGA (organização não governamental ambiental) voltam a unir esforços numa tentativa de mapear eventuais avistamentos da espécie, na esperança de que ainda seja possível recuperá-la. Continue reading

Os amigos da osga

Mais duas notas sobre as osgas. A primeira é que quando cresce uma cauda nova, esta apresenta um padrão uniforme e não listado (como se vê na imagem).

A segunda é que, apesar de inofensivas e de se alimentarem de insectos incómodos para nós, como moscas e mosquitos, as osgas são muito perseguidas.

É pois de louvar o projecto de voluntariado científico Salvem as Osgas, iniciado em 2009 pelo Conselho de Estudantes de Biologia de Évora (CEBE), que tem o propósito de estudar, monitorizar e conservar as populações eborenses de osga-turca e osga-comum. De então para cá já publicaram um trabalho científico na revista Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, realizaram um filme e editaram o livro A minha amiga osguita. Este livro é peça fundamental nas acções de sensibilização que fazem junto das crianças, nas escolas da região.

A propósito do caso Portucale

Esta semana ficou marcada por mais um crime ambiental – abate de mais de 2000 sobreiros – que escapou impune. Num país onde estes actos são frequentes é importante lembrar o trabalho meritório de quem luta em defesa da natureza, como é o caso da Associação Árvores de Portugal, criada em 2009 com o intuito de divulgar, dignificar e proteger o património arbóreo de Portugal.

Certas árvores têm estatuto de protecção semelhante ao do património edificado. São as árvores de interesse público, que se distinguem pelo porte, desenho, idade, raridade, importância cultural ou histórica. Este estatuto confere à planta uma área de protecção num raio de 25 metros e obriga a que qualquer intervenção na árvore ou no solo careça de autorização da Autoridade Florestal Nacional (AFN). É a esta entidade pública que se deve dirigir as candidaturas, por escrito, acompanhadas de uma foto e da descrição pormenorizada do local onde a árvore se encontra.

Entre outras iniciativas, a Associação Árvores de Portugal, e contabilizando apenas o primeiro ano de actividade, solicitou à AFN a classificação de 15 árvores, das quais quatro foram aceites e apenas uma rejeitada.

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O novo Zoo

O Jardim Zoológico de Lisboa está muito diferente. A mudança de estratégia começou em meados dos anos 90 do século passado. Por essa altura o Zoo não só iniciou um trabalho de melhoria das instalações e condições de vida dos animais, mas também aderiu ao Programa Europeu de Espécies Ameaçadas (EEP). Hoje todos os indivíduos de espécies ameaçadas que vivem na instituição estão de alguma forma incluídos num projecto de conservação

Objectivo? Evitar a consanguinidade e atingir um número de indivíduos suficiente para funcionar como reserva a que se possa recorrer no caso de a espécie se extinguir na natureza.

Uma dessas espécies é o saguim-imperador (Saguinus imperator). Na árvore da vida, o saguim-imperador (na foto) está no mesmo ramo que o Homem – o dos primatas –, mas seis galhos ao lado. É uma bola de pêlo com 25 centímetros (mais os 35 da cauda), pesa cerca de 500 gramas, e tem bigodes curvos, maiores do que a cara, semelhantes aos do imperador alemão Guilherme II, facto que está na origem do seu nome.

Ao actual ritmo de destruição do seu habitat e de captura para fazerem dele animal de estimação, o saguim-imperador estará brevemente em perigo, como já acontece com o seu primo saguim-bicolor (Saguinus bicolor). A boa notícia é que o pequeno primata adaptou-se muito bem ao clima luso e, desde a sua chegada em 2005, reproduz-se  quase todos os anos.

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Atracção por zoos

Gosto de visitar jardim zoológicos. Sim, preferia que os animais não estivessem enjaulados e detesto vê-los a andar para trás e para a frente, em claro sofrimento, o que ainda acontece com algumas espécies no zoo de Lisboa.

Há várias razões para nós, humanos, gostarmos de visitar zoos. Por exemplo, os cientistas japoneses Taketo Sakagami e Mitsuaki Ohta concluiram que visitar um zoo diminui significativamente a pressão arterial e o stresse. O estudo de 2009 baseou-se numa amostra de 133 pessoas. Soube deste estudo através do artigo Por que é que gostamos de zoos (vale a pena ler), da poeta, ensaísta e naturalista Diane Ackerman, publicado em Fevereiro no The New York Times. Ackerman é autora de The Zookeeper’s Wife, livro onde conta a história real de um casal de tratadores do zoo de Varsóvia, Polónia, que salvou centenas de judeus durante a Segunda Guerra Mundial escondendo-os nas jaulas. Outra razão, apontada por Ackerman, é “derramar parte do fardo de sermos humanos”.

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Recuperação extraordinária

O caimão (Porphyrio porphyrio) é uma das aves mais bonitas, imponentes e ameaçadas da nossa fauna. A primeira vez que ouvi falar deste bicho foi durante o curso de biologia, no início dos anos noventa. Numa visita de estudo à Ria Formosa, no Algarve, o professor informou-nos que se tratava de uma das espécies mais raras do país, e que apenas existiam cerca de vinte indivíduos. “Vamos ali ao campo de golfe ver se encontramos algum”, disse-nos. Por mais estranho que pareça, a verdade é que ao fim de dois ou três minutos lá encontrámos um, a passear descontraidamente pelo green, por certo confiando na perícia dos golfistas.

Décadas antes o caimão habitava uma vasta área da costa portuguesa, do Algarve até ao Baixo Mondego. A caça e a transformação das zonas húmidas que habitava em terrenos agrícolas quase dizimaram a sua população. O declínio da agricultura a partir dos anos 80 devolveu-lhe o habitat e, aos poucos, com a chegada de indivíduos vindos do estrangeiro, a população algarvia recuperou. Na Reserva Natural do Paúl de Arzila, iniciou-se em 1998 um projecto de conservação que incluiu reprodução em cativeiro, reintrodução e melhoria do habitat. Actualmente a espécie já reocupou a área histórica de distribuição.