Das flores-dos-passarinhos aos homens-nus: descubra as orquídeas selvagens portuguesas

Estamos em plena época de floração das orquídeas selvagens. De norte a sul do país
podem-se observar cerca de 50 espécies destas plantas que imitam a forma,
cheiro e cor dos insectos que as polinizam. Segue-se uma “revisão”
das já apresentadas na Arca (com respectivos links), a maioria fotografada no
Cabo Espichel, Sesimbra.

Flor-dos-passarinhos (Ophrys scolopax)

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Estorninho-preto: o “sósia” do melro

Nas cidades, onde é comum, geralmente forma pequenos bandos e vê-se sobretudo nos ramos das árvores mais altas ou nas antenas de televisão. No campo, junto a zonas cultivadas, aglomera-se em grupos de centenas ou milhares de indivíduos. 

Estorninho-preto (Sturnus unicolor), Cabo Espichel, Sesimbra

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Mocho-galego – consegue vê-lo?

Com 23 centímetros de comprimento o mocho-galego (Athene noctua) arrebata o título de rapina nocturna mais pequena da nossa avifauna (isto porque é raro o mocho-pigmeu aparecer por cá). Além de existir nas cidades, este “simpático” animal tem uma característica muito apreciada pelos birdwatchers: está activo tanto de noite como de dia.

Mocho-galego (Athene noctua), Cabo Espichel, Sesimbra

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“Melanargia occitanica”: a borboleta conhecida por… borboleta

Os britânicos chamam-lhe Western Marbled White, os espanhóis Medioluto herrumbrosa e os franceses Échiquier de l’Occitanie. Por cá a Melanargia occitanica – tanto quanto sei – tem como nome comum “Borboleta”. Esta espécie ameaçada existe em prados de Espanha, França, Norte de África e Portugal (de Setúbal até ao Norte do País).

Melanargia occitanica, Cabo Espichel, Sesimbra

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Maios-pequenos

Da mesma família dos lírios, os maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium) – também conhecidos por pés-de-burro – florescem entre Abril e Maio, no Centro e Sul do país. Como as  flores duram muito pouco tempo a planta aproveita ao máximo as horas do dia para atrair os polinizadores. Assim, também está aberta durante a noite, altura em que o contraste entre o azul e o branco das pétalas seduz os insectos nocturnos.

Maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium), Cabo Espichel, Sesimbra

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Orquídea flor-dos-passarinhos

Se ao olhar para a flor desta orquídea reconhece o padrão da plumagem de uma galinhola (ave semelhante à narceja), está de parabéns. Eu não consigo, mas o taxonomista espanhol Antonio José Cavanilles (1745-1804) lá encontrou parecenças. Assim, a orquídea flor-dos-passarinhos (Ophrys scolopax) herdou como epíteto específico o género da galinhola (Scolopax rusticola).

Flor-dos-passarinhos (Ophrys scolopax), Cabo Espichel, Sesimbra

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Orquídea erva-vespa (Ophrys lutea)

Uma após outra, as várias espécies de orquídeas do género Ophrys despontam nos prados do Cabo Espichel, Sesimbra, do lado direito de quem chega ao mosteiro. As ervas-vespas-rosadas (Ophrys tenthredinifera) já desapareceram e restam poucos moscardos-fuscos (Ophrys fusca). A meio da semana passada era a erva-vespa (Ophrys lutea) que dominava a área preferida das orquídeas.

Erva-vespa (Ophrys lutea), Cabo Espichel, Sesimbra

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Orquídea erva-abelha-maior

Os pelos castanhos e o centro violeta ou azul do labelo identificam a erva-abelha-maior (Ophrys speculum subsp. speculum). Tal como as outras orquídeas do género Ophrys, a erva-abelha-maior (também conhecida por abelhão ou erva-espelho) imita a forma e as feromonas da fêmea de um insecto – a vespa Campsoscolia ciliata – induzindo o macho a pseudocopular com o labelo.

Erva-abelha-maior (Ophrys speculum subsp. speculum), Cabo Espichel, Sesimbra

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Erva-olha-o-sol!

Um fim-de-semana solharengo está à porta. Aproveite o bom tempo para passear e descobrir a erva-olha-o-sol (Euphorbia helioscopia), planta que tem, pelo menos, outros oito nomes comuns. A saber: Erva-leiteira; erva-maleita; erva-maleiteira; leitarega; leitariga; maleiteira; títimalo-dos-vales. Tamanha fartura baptismal estará por certo relacionada com a associação da espécie a actividades humanas. De facto a erva-olha-o-sol é comum, por exemplo, em campos agrícolas e bermas de caminho.

Erva-olha-o-sol (Euphorbia helioscopia), Cabo Espichel

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A (quase) inconfundível cotovia-de-poupa

O título também poderia ser “A (quase) inconfundível cotovia-escura”. A verdade é que é bastante difícil distinguir as duas espécies. Posto isto, a crista alta, o bico comprido e o local onde a foto foi tirada – no litoral, e não no interior, onde a cotovia-escura (Galerida theklae), também conhecida por cotovia-montesina, é mais frequente –, sugerem que se trata da cotovia-de-poupa (Galerida cristata).

Cotovia-de-poupa (Galerida cristata). Cabo Espichel

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Tremoceiro-amarelo: fiel amigo dos solos

O tremoceiro-amarelo (Lupinus luteus), ou tremocilha, é um fertilizante natural usado na agricultura. A sua principal virtude é a fixar o azoto atmosférico, tarefa que, na verdade, é efectuada por bactérias existentes na raiz. Os tremoceiros são também fonte de néctar para as abelhas e abrigam vespas que eliminam insectos prejudiciais à agricultura.

Tremoceiro-amarelo (Lupinus luteus), Cabo Espichel, Sesimbra

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Moscardo-fusco: a orquídea que imita abelhas

Estamos na época de floração das orquídeas selvagens. Esta é a terceira espécie apresentada na Arca. Dá pelo nome científico de Ophrys fusca e é conhecida por moscardo-fusco ou moscardo-maior. Tal como a orquídea-vespa, a O. fusca também atrai insectos machos ao imitar a cor, forma e cheiro de um insecto fêmea. Neste caso, os enganados são principalmente abelhas do género Andrena.

Moscardo-fusco (Ophrys fusca). Cabo Espichel, Sesimbra (Março de 2013)

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A ilusão sexual na orquídea-vespa

As orquídeas selvagens criaram duas artimanhas absolutamente notáveis para assegurarem a polinização: transformaram uma das pétalas num labelo que se assemelha a um dado insecto fêmea, e produzem feromonas que imitam as dos insectos. Assim, os pobres insectos machos, atraídos pelas “curvas” e “cheiros” falsos, pseudocopulam com a planta e transportam o pólen para outra orquídea.

Orquídea-vespa (Ophrys tenthredinifera), Serra do Risco

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