O Ano do Carneiro (post convidado)

Texto e fotos: LUIZ FORMIGA*

*Geólogo

Devido ao absurdo crescimento da China na última década e à proximidade da Austrália, Sydney é destino certo para a classe média chinesa. Some-se isso à maior data festiva do calendário chinês (o Ano Novo, neste caso o ano do Carneiro) e Sydney torna-se um lugar bem interessante para se estar. Tive essa sorte! Eu e a minha namorada tínhamos planeado para Fevereiro um final de semana na costa Leste da Austrália (moramos na costa Oeste, em Perth) e foi uma grata surpresa chegar à cidade e encontrar todas as festividades do Ano do Carneiro.

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Cacatuas-pretas: banquete com vista sobre a cidade

Perth, Austrália, é uma cidade essencialmente plana. O alto do Monte Eliza – onde fica o Kings Park – é uma das poucas excepções. Dali, os cerca de 5 milhões de visitantes que anualmente visitam o local têm vista privilegiada sobre o rio e a cidade. Se estiverem atentos também observam o bando de cacatuas-pretas-de-Carnaby que por ali se alimenta nas copas das banksias – na verdade, é difícil não reparar nelas devido ao barulho que fazem…

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A imagem que faltava

Neste post sobre as flores pata-de-canguru referi que são polinizadas por comedores-de-néctar, “em particular por wattlebirds (aves com penduricalhos na face). O wattlebird “enfia” a cabeça na flor para alcançar o néctar. Quando retira a cabeça, arrasta-a ao longo dos tais “deditos” e fica com uma “pata de canguru” desenhada na cabeça.”

Neste outro apresentei o wattlebird, que ontem fotografei “com a boca na botija”.

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Beaufort Street Festival: 1 rua, 9 horas, 150.000 pessoas

Ora aqui está uma maneira fantástica de animar o comércio de rua. O Beaufort Street Festival acontece uma vez por ano com os objectivos de divulgar a arte, música, gastronomia e moda locais, promover o comércio e partilhar ideias. Seis palcos e mais de 100 tendas recebem enorme variedade de performances e actividades para todas as idades. A 5.ª edição, que decorreu ontem, 15 de Novembro, atraiu 150.000 visitantes a esta rua que desemboca no centro de Perth, Austrália.

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Heirisson Island: a ilha dos cangurus

Do centro de Perth, Austrália, até à Heirisson Island são pouco mais do que de 10 minutos a pé. Situada no rio Swan, a principal atracção desta ilha, com tamanho equivalente a 70 campos de futebol, é a população de cangurus-cinzentos (Macropus fuliginosus) que, desde 1998, ocupa metade da área. Mas há outras.

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Árvores: sombras na paisagem

As árvores decoram a paisagem urbana. É uma decoração em constante mudança, como facilmente se nota com a chegada do Outono e a transformação da cor das folhas e, depois, a queda destas. Na Primavera regressa a bojuda silhueta verde. Com ou sem folhas, há uma outra mudança que ocorre diariamente: a das sombras projectadas nas paredes e pavimentos. Passada uma hora, ou 5 minutos, a “pintura” já é diferente (então com vento são autênticos “quadros vivos”). Em Perth, Austrália, o “preto” das árvores contrasta com a paleta forte da cidade. Espreite as fotos em baixo.

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Asas de bronze

Parece neve em pano de fundo, mas tirei a foto em pleno Verão australiano. O tom esbranquiçado deve-se a nuvens sobre o mar, minutos antes de o pôr-do-sol pintar o céu de vermelho. A ave chama-se Brush Bronzewing (Phaps elegans) – em português é conhecida por rola-elegante -, mede até 33 centímetros e habita áreas junto à costa. Nas asas tem duas bandas coloridas, com reflexos verdes e azuis metalizados. Por baixo do olho tem uma risca branca e a atravessá-lo uma outra cor de chocolate. O cimo da cabeça cor de avelã indica que o indivíduo da imagem é um macho.

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O paradoxal telemóvel e a nova galeria – “Urban solitude” -, em “Perspectivas”

Estava a olhar para algumas fotos que tirei na rua e onde apenas aparecia uma pessoa. É certo que estar sozinho não é sinónimo de estar só. A expressão de alguém sentado num banco a comer um gelado ou a ler um livro raramente é de solidão. O mesmo já não se pode dizer de alguém com um telemóvel na mão. É quase paradoxal, mas a verdade é que o aparelho que nos liga a outros e ao mundo tem o dom de pintar os rostos com solidão. De todas as funcionalidades do telemóvel a única que parece imune a esta pintura é a velhinha chamada telefónica. Todas as outras – jogar, ouvir música, enviar e receber mensagens, pesquisar na net, etc. – são autênticos “entristecedores” de feições. Reuni algumas fotos numa galeria a que chamei “Urban solitude”, título roubado à cantora Anouk. Espreite-a em Perspectivas.

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