Mais Natureza nos pilares da Ponte 25 de Abril

Os pilares das duas pontes de Lisboa “albergam” insectos, na Vasco da Gama, e cetáceos e limícolas, na 25 de Abril. Agora os desta última também dão guarida à fauna da serra da Arrábida, em mais um projecto da Galeria de Arte Urbana (GAU).

pilares ponte 25 abril 1

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A orquídea que NÃO provoca abortos

No passeio pela Arrábida (ver A planta que gosta de estradas e Pútegas: Parasitas comestíveis), ainda dentro da floresta coberta, mas num local exposto à luz do Sol, encontrámos o raro limodoro-mal-feito (Limodorum abortivum). O nome científico desta orquídea é responsável por um mal-entendido: Há quem diga que provoca abortos nas fêmeas de herbívoros grávidas que a ingiram. Na verdade, o nome “abortivum” refere-se ao “aborto” das suas folhas, que não se desenvolvem além de bainhas parecidas com escamas, que lhe dão este aspecto de espargo roxo.

De facto, esta orquídea tem pouca clorofila, pelo que não consegue satisfazer as necessidades alimentares através da fotossíntese. Assim, estabelece uma relação simbiótica com fungos para absorver substâncias orgânicas através da raiz. As sementes têm crescimento lento e permanecem 8 a 10 anos no solo. No Sul a floração ocorre entre Abril e Maio (foi por dias que não a vimos em flor!). No Norte estende-se até Julho.

 

A planta que gosta de estradas

A Iberis procumbens (subespécie microcarpa) é um endemismo português, isto é, só existe no nosso país, e habita no litoral, em arribas e areais situados entre a serra da Boa Viagem e a serra da Arrábida. No entanto, no Parque Natural da Arrábida, Setúbal, manifesta uma preferência algo surpreendente: “Adora estradas novas. É claramente um exemplo de uma espécie protegida que, nesta zona, beneficia da actividade humana”, observou o biólogo Paulo Pereira durante a visita à Arrábida (ver post “Pútegas: parasitas comestíveis”). De facto, só a encontrámos nas paredes de calcário resultantes da abertura de estradas na serra, e em caminhos junto às arribas.

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Pútegas: parasitas comestíveis

É sempre um prazer ir para o campo com o biólogo (e músico) Paulo Pereira (na foto) e desfrutar do seu vasto conhecimento sobre ecologia. Foi o que aconteceu ontem, num passeio que ele conduziu pela serra da Arrábida, organizado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) no âmbito da Conferência Internacional de História Ambiental (hoje, 5 de Maio, na FCSH).

A Arrábida alberga uma floresta muito antiga, que remonta ao Terciário, e apresenta características climáticas únicas, que resultam de factores como a orientação das serras e da proximidade do mar. Muitas plantas que, noutras regiões do país, não passam de arbustos, atingem na Arrábida estatuto de árvore, chegando a atingir 12 metros de altura.

A meio do passeio cruzámo-nos com uma pútega (Cytinus hypocistis), também conhecida como coalhada. Esta planta não tem clorofila e não faz fotossíntese. Por isso parasita estevas (Cistus sp.) e sargaços (Halimium sp.), dos quais se alimenta. Parece que são comestíveis, mas o exemplar que vimos (na foto, com pétalas amarelas) ainda não estava maduro.

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