Os amigos da osga

Mais duas notas sobre as osgas. A primeira é que quando cresce uma cauda nova, esta apresenta um padrão uniforme e não listado (como se vê na imagem).

A segunda é que, apesar de inofensivas e de se alimentarem de insectos incómodos para nós, como moscas e mosquitos, as osgas são muito perseguidas.

É pois de louvar o projecto de voluntariado científico Salvem as Osgas, iniciado em 2009 pelo Conselho de Estudantes de Biologia de Évora (CEBE), que tem o propósito de estudar, monitorizar e conservar as populações eborenses de osga-turca e osga-comum. De então para cá já publicaram um trabalho científico na revista Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, realizaram um filme e editaram o livro A minha amiga osguita. Este livro é peça fundamental nas acções de sensibilização que fazem junto das crianças, nas escolas da região.

O Graal da decoração

Em Portugal continental há duas espécies de osgas: A osga-comum (Tarentola mauritanica) e a osga-turca (Hemydactylus turcicus). A da foto é uma osga-comum, que é abundante no centro e sul, e mais rara no norte do país. Já a osga-turca encontra-se na região sul, o que significa que há uma área onde as duas se sobrepõem.

No entanto, há algumas características morfológicas que permitem distingui-las. Por exemplo, a osga-turca tem a pele mais lisa e as lamelas digitais (plantas dos dedos) estão divididas em duas filas, enquanto que na osga-comum têm apenas uma fila (vê-se na imagem, na pata dianteira direita).

As osgas têm vários dons peculiares, como mudar de cor consoante o estado de espírito ou a superfície onde se encontram, e separar de forma voluntária a cauda do corpo como meio de defesa – capacidade denominada de autotomia). Mas há uma habilidade que há muito ocupa cientistas de todo o mundo: treparem e agarrarem-se a tectos e paredes.

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