Osga que esguicha

Mede cerca de 12 centímetros, mas tem um nome bastante comprido: South-western spiny-tailed gecko (Strophurus spinigerus), ou seja, osga-de-cauda-espinhosa-do-sudoeste. Além dos espinhos pretos de aspecto pré-histórico, a cauda possui outro peculiar mecanismo de defesa: poros que esguicham um líquido que, apesar de inofensivo, emana odor que intimida potenciais predadores.

south-western spiny-tailed gecko 1

Continue reading

As cobras também foram ao Dia da Austrália

As celebrações do Dia da Austrália começaram às 15:00h, nas duas margens do rio Swan, em Perth. Para entreter a multidão havia um leque muito variado de actividades: concertos, escorregas-de-água, feira de ciência, passeios de camelo, show de motos… No meio desta miscelânea estava uma pequena tenda de uma associação de conservação da Natureza. Objectivo? Lutar contra a má fama que persegue as cobras.

australia day snakes 1

Continue reading

Lagarto de cauda curta (“Tiliqua rugosa”)

É inofensivo, mas o tamanho – e o aspecto –  impressiona: mede cerca de 29 centímetros (do focinho à cloaca) e pesa até 900 gramas. O nome mais popular é Bobtail (“cauda curta” ou “cauda cortada”) – Tiliqua rugosa -, mas tem muitos outros, como lagarto-de-língua-azul (Blue tongue lizard) ou lagarto-dorminhoco (Sleepy lizard). A língua é realmente azul e são, de facto, animais lentos que gostam de se aquecer ao sol.

bobtail-3 (1024x664)

Continue reading

“Laquintasaura venezuelae” – dinossauro descoberto na Venezuela traz novos conhecimentos

Chama-se Laquintasaura venezuelae e é o mais recente membro da família dos dinossauros. Este omnívoro com cerca de 1 metro é uma caixinha de surpresas. “Há muitos factos surpreendentes sobre ele. Além de alargar a área de distribuição dos primeiros dinossauros, a altura em que viveu é importante para compreender as primeiras etapas da evolução dos dinossauros e o comportamento”, garante Paul Barrett, paleontologista do Museu de História Natural de Londres.

Artist's impression of Laquintasaura © Mark Witton (1024x718)

Imagem: © Mark Witton

Continue reading

Bailado com pitão

Há um mês que sou voluntário em Perth num centro de recuperação de animais selvagens. Como o trabalho implica manusear animais – por exemplo, para os retirar das gaiolas de modo a poder limpá-las – decidi frequentar um mini-curso que ensina a mexer nos bicharocos.

Antaresia-stimsoni-1

Pitão de Stimsoni (Antaresia stimsoni). Foto: Stewart Macdonald

Continue reading

Cobra-tigre… e um arrepio na espinha

O Lago Monger é circular. Na periferia há dois caminhos para peões e bicicletas: um exterior, o mais utilizado por todos os que usufruem do lago; um interior, em pior estado, menos frequentado e com zonas alagadas. Placas nas entradas do percurso exterior alertam: “Caution: snakes have been sighted in this reserve” (Cautela: avistaram-se cobras nesta reserva). O cartaz não especifica se são venenosas. Não precisa. Todas são.

tiger-snake_lake_monger Continue reading

Conservação do lagarto-ágil na Grã-Bretanha

Há (pelo menos) duas boas razões para contar esta história: É um caso de sucesso de uma estratégia de conservação; revela o empenho e o trabalho em equipa de várias instituições e cidadãos.

A espécie em causa é o lagarto-ágil (Lacerta agilis) – em inglês, sand lizard, o que significa lagarto-da-areia –, que quase desapareceu durante o século XX no Reino Unido devido à destruição dos seus dois habitats de eleição: as dunas e as charnecas. O declínio foi assustador: extinção em 10 áreas de ocorrência; redução de 97%, 95% e 90% do efectivo populacional em Merseyside, Surrey e Dorset, respectivamente.

Lagarto-ágil (Lacerta agilis) criado no Zoo de Chester. Foto: Chester Zoo

Continue reading

Dinossauros à solta!

O dono de um dos mais famosos e aterradores olhares da natureza, o Tyrannossaurus rex, está em Lisboa, e recebe visitas no Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva. O “rei dos lagartos tirano” apresenta-se em tamanho real – uns imponentes 12 metros de comprimento e 7,6 metros de altura -, move-se e ruge quando abre a boca, revelando os 60 dentes serrilhados e pontiagudos.

Continue reading

Punk Jurássico

O paleontólogo Hans-Dieter Sues garante que descobrir um novo membro da família Heterodontosauridae não é um feito extraordinário, mas que o trabalho minucioso sobre a alimentação deste grupo é. Sues refere-se ao artigo publicado ontem no jornal online ZooKeys, onde Paul Sereno, da Universidade de Chicago, descreve uma nova espécie que viveu há 200 milhões de anos – o Pegomastax africanus. Não será extraordinário, mas este réptil mais pequeno que um gato é, sem dúvida, surpreendente.

 

 Imagem: Todd Marshall

Continue reading

De onde veio o camaleão algarvio?

Se está no Algarve, entre Lagos e Vila Real de Santo António, esteja atento às vedações à beira de pinhais, dunas e pomares, pois muitas vezes estas servem de caminho para o camaleão (Chamaeleo chamaeleon), réptil insectívoro e arborícola, passar de uma árvore para outra. Estes animais, cujos olhos movem-se de forma independente um do outro, são famosos pela sua capacidade de mudar de cor consoante o meio em que se encontram, o que dificulta a sua detecção – a cor também depende do estado emotivo, da idade e do sexo dos indivíduos.

Continue reading

A actriz

Muitos humanos têm uma certa fobia no que toca aos répteis – às cobras em particular.

Porquê? Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology (2001) sugere que este comportamento foi seleccionado ao longo da evolução humana. O cérebro tinha de ser eficaz em identificar répteis, pois alguns eram perigosos. Há outro factor que, actualmente, contribui para o medo que os humanos sentem perante estes bichos (ou perante imagens destes bichos): a forma negativa como os retratamos, como acontece em inúmeros filmes (mas não é esta a razão para o título do post). Continue reading

R.I.P. Solitario George (c.1910-2012)

O fim de um símbolo da conservação nas Galápagos, Equador. A tartaruga-gigante George Solitário era o último indivíduo da sub-espécie Chelonoidis nigra abingdoni. Morreu ontem de causas desconhecidas. Tinha mais de 100 anos e poderia chegar aos 200 anos. Os esforços para o cruzar com uma fêmea proveniente de uma ilha próxima falharam. “O seu legado será um maior esforço e mais investigação para restaurar as populações de tartarugas gigantes na Ilha Pinta e nas outras ilhas do arquipélago das Galápagos”, Informou a direcção do Parque Nacional das Galápagos.

Os amigos da osga

Mais duas notas sobre as osgas. A primeira é que quando cresce uma cauda nova, esta apresenta um padrão uniforme e não listado (como se vê na imagem).

A segunda é que, apesar de inofensivas e de se alimentarem de insectos incómodos para nós, como moscas e mosquitos, as osgas são muito perseguidas.

É pois de louvar o projecto de voluntariado científico Salvem as Osgas, iniciado em 2009 pelo Conselho de Estudantes de Biologia de Évora (CEBE), que tem o propósito de estudar, monitorizar e conservar as populações eborenses de osga-turca e osga-comum. De então para cá já publicaram um trabalho científico na revista Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, realizaram um filme e editaram o livro A minha amiga osguita. Este livro é peça fundamental nas acções de sensibilização que fazem junto das crianças, nas escolas da região.