O Ano do Carneiro (post convidado)

Texto e fotos: LUIZ FORMIGA*

*Geólogo

Devido ao absurdo crescimento da China na última década e à proximidade da Austrália, Sydney é destino certo para a classe média chinesa. Some-se isso à maior data festiva do calendário chinês (o Ano Novo, neste caso o ano do Carneiro) e Sydney torna-se um lugar bem interessante para se estar. Tive essa sorte! Eu e a minha namorada tínhamos planeado para Fevereiro um final de semana na costa Leste da Austrália (moramos na costa Oeste, em Perth) e foi uma grata surpresa chegar à cidade e encontrar todas as festividades do Ano do Carneiro.

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Borboleta-do-medronheiro (post convidado)

Desta vez o Paulo Pereira teve a gentileza de enviar à Arca esta linda imagem de uma borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius), com o rio Zêzere em Pano de fundo. Com 85 milímetros de envergadura, ela é a maior borboleta diurna de Portugal, e é sem dúvida uma das mais bonitas.

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Antropoceno (post convidado)

TEXTO (e origami): SANDRA MONTEIRO*

*Directora do Le Monde Diplomatique – edição portuguesa

A criação de uma consciência mundial que dê prioridade à reestruturação da economia e das sociedades, de modo a que as actividades humanas possam harmonizar-se com a sustentabilidade ambiental, exige que os cidadãos deixem de ser essencialmente responsabilizados por comportamentos e decisões individuais, como consumidores, e adquiram uma renovada capacidade de influenciar as escolhas políticas que podem garantir essa harmonização.

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Onde a Biodiversidade se Esconde (post convidado)

Texto e fotos: Miguel Costa*

* (fotógrafo, estudante de Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)

O local,

 Fronteira entre Portugal e Espanha, a freguesia da Ajuda, Salvador e Santo Ildfedonso foi, na margem do Guadiana, cenário de inúmeras batalhas durante séculos que tanto pretendiam devolver Olivença a Portugal como pretendiam tirá-la.

Com uma paisagem formada por suaves encostas com uma significativa cobertura de mato ribeirinho e áreas de montado, o local mais atraente e com interesse turístico é aquele vulgarmente conhecido como Ajuda.

Quando o sol se põe os barulhos nocturnos imperam, dando ao local um ambiente sinistro. A única luz é aquela que vem dos candeeiros que iluminam a Ermida de Nossa Senhora da Ajuda

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Um site a visitar; um fotógrafo a descobrir

É com grande satisfação que a Arca apresenta o próximo post convidado. Nele, o fotógrafo e estudante de Biologia Miguel Costa, 20 anos, guia-nos pela biodiversidade da freguesia da Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, perto de Elvas. Mas não só. Por exemplo, fala-nos também das gentes e das “inúmeras batalhas” testemunhadas pelas margens do Guadiana.

Foto: Miguel Costa

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Observação de golfinhos – e não só – em Sagres (post convidado)

Texto e ilustração: Miguel Appleton Fernandes (16 anos, estudante, 11º ano da área de Ciências e Tecnologias, Salesianos de Lisboa)

Dia 4 de Setembro cheguei a Sagres, acompanhado de alguns familiares. No porto da Baleeira, várias empresas realizam actividades de observação de espécies marinhas (nomeadamente cetáceos e tubarões, entre outros). Na empresa Mar Ilimitado, conhecemos as três biólogas que coordenam as actividades desta empresa e, antes de embarcarmos, foi-nos feito um briefing sobre as espécies mais avistadas (no verão, altura de maior actividade da empresa) junto à costa, sendo elas, por ordem decrescente de avistamentos: o golfinho-comum, o roaz, a baleia-anã e o boto.

Golfinho-comum (Delphinus delphis), Sagres. Foto: Cristina Appleton Fernandes

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O que sabemos sobre a percepção das crianças face às emoções dos animais?

Por SÍLVIA ROCHA* (texto e imagens)

*bióloga, mestre em Biologia da Conservação, actualmente no 3º ano do programa de doutoramento em Psicologia (ISCTE-IUL)

A percepção das crianças em relação às emoções pode ser definida como a habilidade da criança em expressar, regular e compreender as emoções de maneira apropriada, e também de interpretar corretamente as emoções das outras pessoas. Todo este processo é fundamental para a promoção da estabilidade emocional e para a criação de interações sociais positivas ao longo da vida.

 

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Novo “post convidado”

A Arca tem o enorme prazer de apresentar mais um “post convidado”, desta feita a cargo de Sílvia Rocha, bióloga com mestrado em Biologia da Conservação, que abordará a forma como as crianças percepcionam as emoções dos animais, tema do seu actual programa de doutoramento em Psicologia.

Será que as crianças olham para as emoções dos animais da mesma maneira que vêem as emoções das outras pessoas?

Além deste tema, as principais linhas de investigação de Sílvia são: Psicologia das emoções; empatia emocional; comportamento facial e reacções emocionais a estímulos faciais; biologia da conservação e estratégias de desenvolvimento e melhoria do bem-estar de primatas (particularmente chimpanzés) em cativeiro.

 

 

                     Sílvia Rocha (foto cedida)

Sílvia está no 3º ano do seu programa de doutoramento no Centro de Investigação e de Intervenção Social (CIS) do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Os biocombustíveis de síntese e a prevenção dos fogos florestais em Portugal (post convidado)

Texto: Jorge Lucas, assessor técnico da Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo (APTTA)

O processo de produção de biocombustíveis de síntese (BTL – Biomass To Liquid) permite converter qualquer tipo de biomassa em combustíveis líquidos com características idênticas aos combustíveis obtidos a partir do petróleo. Biomassa (resíduo florestal) é matéria-prima abundante nas matas e florestas nacionais. Atualmente já não há necessidade de proceder à recolha de lenha para aquecimento e preparação de refeições; a pastorícia é cada vez mais concentrada e “aditivada”, percorrendo áreas de território cada vez menores. Como resultado a floresta acumula combustível até… à próxima época de fogos florestais.

Algarve (incêndio de 2005). Foto: Osvaldo Gago

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Mais um post convidado

Os “posts convidados” trazem à Arca perspectivas diferentes sobre a Natureza e o Ambiente. Desta feita é um privilégio contar no próximo post com um artigo de Jorge Lucas, assessor técnico da Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo (APTTA), sobre o futuro dos biocombustíveis na aviação.

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Paisagens da Nova Zelândia – Post convidado

Texto e fotos: Célia Mendes*

Costumo dizer que é fácil tirar boas fotografias de paisagens na Nova Zelândia. A beleza é tanta que é difícil não a captar. É um país de facto lindíssimo e que já considero uma das minhas pátrias: tenho-lhe um amor que normalmente só se reserva às paisagens da nossa infância.

Montanha Longslip, Lindis Pass. Foto: Célia Mendes

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Deslumbrantes antípodas

A Arca tem o prazer de apresentar mais um Post Convidado, desta vez a cargo de Célia Mendes. No próximo post, Célia leva-nos numa fascinante viagem à Nova Zelândia, antípodas de Portugal. Para tal, conta-nos algumas singularidades desse país formado por duas ilhas no Pacífico, e revela-nos, através do seu talento como fotógrafa, toda a diversidade das deslumbrantes paisagens.

Lago Tepako, Nova Zelândia. Foto: Célia Mendes

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A essência do Lobo – post convidado

Texto e foto: Joaquim Pedro Ferreira, biólogo

Quando fotografas um animal como o lobo, o mais difícil é captar a sua essência, a personalidade no olhar. Nesta imagem a cria, apesar de ter o comportamento de animal jovem, tem já atitude de adulto.

A foto foi tirada em Espanha, na Serra da Culebra, num cercado de um enorme centro de recuperação e sensibilização ambiental. Os lobos reproduziram-se e as crias, ocasionalmente, já saíam da toca. Continue reading

Fotógrafo da Natureza

A Arca tem o enorme prazer de apresentar mais um post convidado, desta vez a cargo do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, especialista em conservação do gato-bravo (Felis silvestris), com mestrado (2003) e doutoramento (2010) nesta temática. Ele é também um excelente fotógrafo da natureza. Por isso pedi-lhe que elegesse uma imagem entre as milhares que já tirou, e que nos contasse a história por trás dela. A foto eleita – fantástica – e a explicação encontram-se no próximo post. 

Foto cedida

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Post convidado

“Animais e Humanos”, por Margarida Girão*

Para esta série de retratos – “Animais e Humanos” – pedi a amigos no facebook que me enviassem as fotos dos seus perfis.

No meu trabalho sou influenciada pela natureza e por todos os animais.
No primeiro caso, por causa das cores, das formas, e do cheiro, o qual não se sente nas colagens, mas eu sei que ele existe. No segundo, ‘só’ porque gosto deles.
Recorro a ambos porque tento aproveitar a minha paixão também como forma de relembrar os direitos ‘deles’ e os nossos deveres – de maneira subtil, é certo, mas a intenção está sempre lá.

*Licenciada em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Site: www.margaridagirao.com

Um olhar artístico

A ilustradora e webdesigner Margarida Girão é a próxima autora do “Post Convidado”. As suas colagens já ilustraram páginas de vários jornais e revistas, tanto em Portugal (Gingko, Visão júnior, jornal i, Dinheiro Vivo, etc.), como lá fora (a norte-americana Adweek, a brasileira TPM, etc.). “As colagens da Margarida não são apenas corte & costura em peças soltas, ela injecta-lhes uma controlada e sábia dose de humor com travo a provocação e revelam como ela é de facto: mulher e artista, tentadora e estimulante. Arte com toque feminino não seria logo o que me viria à cabeça, mas mais uma refrescante atitude perante tudo o que nos orbita. É assim, a Girão”, escreveu Rafael Vieira, arquitecto e editor da revista online Le Cool Lisboa.

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Post convidado

Quebra-ossos (Gypaetus barbatus), por Paulo Caetano

“Esta foto foi a mais difícil de obter e é também um grande exclusivo, já que o quebra-ossos é a espécie mais rara de abutres na Península Ibérica, com apenas algumas dezenas de casais reprodutores nos Pirinéus. É uma espécie muito desconhecida, muito bonita e colorida, e que tem pouco a ver com o resto dos abutres, pois tem um voo muito ágil – até há quem lhe chame águia-barbuda.

Tive autorização das autoridades espanholas para fotografar em Ordesa, nos Pirinéus. Pediram-me o currículo, artigos publicados em revistas, e quiseram saber que tipo de livro estava a escrever. Demorou mais de um ano a conseguir a primeira autorização. Fui dois anos seguidos, cinco dias de cada vez. Ficávamos na aldeia de Torla, donde saíamos às 4h 30 e andávamos uma hora de jeep, num estradão coberto de neve e ladeado por penhascos. Depois deixávamos o jeep e subíamos o resto da montanha a pé, durante 45 minutos a uma hora, em cima de gelo ou neve, com raquetes nos pés e um bastão. Continue reading