Os nomes das Rosas

Chama-se “Rose Gardens” e fica num retalho de terreno colado a Cambridge Street, a meio do caminho entre o centro de Perth e a praia. O nome não engana: as rosas são as únicas flores deste jardim. Rosas de várias as cores e, quando olhamos com atenção, de inúmeras formas, fruto de uma selecção artificial que remonta ao século VI a.C.. Como estava de passagem fotografei apenas algumas variedades, mas ilustram bem a diversidade daquela que provavelmente é a flor mais famosa do planeta.

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Das flores-dos-passarinhos aos homens-nus: descubra as orquídeas selvagens portuguesas

Estamos em plena época de floração das orquídeas selvagens. De norte a sul do país
podem-se observar cerca de 50 espécies destas plantas que imitam a forma,
cheiro e cor dos insectos que as polinizam. Segue-se uma “revisão”
das já apresentadas na Arca (com respectivos links), a maioria fotografada no
Cabo Espichel, Sesimbra.

Flor-dos-passarinhos (Ophrys scolopax)

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Loendro: viçoso e venenoso

Por esta altura é difícil não reparar nele devido à exuberância das suas flores, que podem ser cor-de-rosa, brancas ou vermelhas. Além disso, o loendro (Nerium oleander) – também conhecido por aloendro, loureiro-rosa, cevadilha, espirradeira… – é uma espécie nativa que cresce espontaneamente em Portugal (prefere margens de rios) e é muito usada como arbusto ornamental em parques, jardins e, por exemplo, entre as faixas das auto-estradas.

Loendro (Nerium oleander), Calçada de Carriche, Odivelas

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A lagarta que protege o gado

O padrão amarelo e preto da lagarta da mariposa Tyria jacobaeae anuncia a sua perigosidade aos potenciais predadores. O sabor amargo e os componentes tóxicos (alcalóides) adquire-os através da planta de que se alimenta – a tasneira (Senecio jacobea), também conhecida por tasna ou erva-de-São-Tiago –, também ela tóxica e perigosa para o gado.

Lagarta da mariposa Tyria jacobaeae, Santa Clara-a-Velha, Odemira

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Alfinetes-das-areias e a difícil vida na praia

A vida das plantas no litoral não é fácil, mas algumas adaptações permitem-lhes sobreviver num ambiente agreste e sempre em transformação. Por exemplo, os alfinetes-das-areias (Silene littorea), espécie nativa da Península Ibérica e do Noroeste de Marrocos, possuem “sistemas radiculares superficiais de forma a recolher de imediato a água que chega ao solo e a condensação do vapor de água durante as épocas de maior secura” e “para diminuir a transpiração possuem folhas de reduzidas dimensões”, explica José Carlos Costa, do Instituto Superior de Agronomia, num artigo de 2001.

Alfinetes-das-areias (Silene littorea), Praia das Bicas, Sesimbra

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Maios-pequenos

Da mesma família dos lírios, os maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium) – também conhecidos por pés-de-burro – florescem entre Abril e Maio, no Centro e Sul do país. Como as  flores duram muito pouco tempo a planta aproveita ao máximo as horas do dia para atrair os polinizadores. Assim, também está aberta durante a noite, altura em que o contraste entre o azul e o branco das pétalas seduz os insectos nocturnos.

Maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium), Cabo Espichel, Sesimbra

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Chagas – a flor que sabe a pimenta

No fim-de-semana comi flores e folhas de chagas (Tropaeolum majus), planta também conhecida por capuchinha, cinco-chagas, nastúrcio, agrião-do-méxico, flor-de-sangue e mastruço. O sabor das aveludadas pétalas é apimentado e lembra o do agrião, mas temperado com piri-piri. No entanto, o picante não é imediato – surge após algumas mastigadelas. 

Chagas (Tropaeolum majus), Sesimbra

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Orquídea flor-dos-passarinhos

Se ao olhar para a flor desta orquídea reconhece o padrão da plumagem de uma galinhola (ave semelhante à narceja), está de parabéns. Eu não consigo, mas o taxonomista espanhol Antonio José Cavanilles (1745-1804) lá encontrou parecenças. Assim, a orquídea flor-dos-passarinhos (Ophrys scolopax) herdou como epíteto específico o género da galinhola (Scolopax rusticola).

Flor-dos-passarinhos (Ophrys scolopax), Cabo Espichel, Sesimbra

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Orquídea erva-vespa (Ophrys lutea)

Uma após outra, as várias espécies de orquídeas do género Ophrys despontam nos prados do Cabo Espichel, Sesimbra, do lado direito de quem chega ao mosteiro. As ervas-vespas-rosadas (Ophrys tenthredinifera) já desapareceram e restam poucos moscardos-fuscos (Ophrys fusca). A meio da semana passada era a erva-vespa (Ophrys lutea) que dominava a área preferida das orquídeas.

Erva-vespa (Ophrys lutea), Cabo Espichel, Sesimbra

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Jacinto-das-searas

A parte superior do jacinto-das-searas (Muscari comosum) parece um guarda-chuva só com varetas. É nesse topo que se encontram as flores mais vistosas, de um intenso violeta, mas estéreis, ao contrário das férteis que crescem mais em baixo e junto ao caule.

Jacinto-das-searas (Muscari comosum), Azóia, Sesimbra

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Orquídea erva-abelha-maior

Os pelos castanhos e o centro violeta ou azul do labelo identificam a erva-abelha-maior (Ophrys speculum subsp. speculum). Tal como as outras orquídeas do género Ophrys, a erva-abelha-maior (também conhecida por abelhão ou erva-espelho) imita a forma e as feromonas da fêmea de um insecto – a vespa Campsoscolia ciliata – induzindo o macho a pseudocopular com o labelo.

Erva-abelha-maior (Ophrys speculum subsp. speculum), Cabo Espichel, Sesimbra

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Erva-olha-o-sol!

Um fim-de-semana solharengo está à porta. Aproveite o bom tempo para passear e descobrir a erva-olha-o-sol (Euphorbia helioscopia), planta que tem, pelo menos, outros oito nomes comuns. A saber: Erva-leiteira; erva-maleita; erva-maleiteira; leitarega; leitariga; maleiteira; títimalo-dos-vales. Tamanha fartura baptismal estará por certo relacionada com a associação da espécie a actividades humanas. De facto a erva-olha-o-sol é comum, por exemplo, em campos agrícolas e bermas de caminho.

Erva-olha-o-sol (Euphorbia helioscopia), Cabo Espichel

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Orquídea-gigante

O nome faz sentido no universo das orquídeas. A Barlia robertiana, conhecida por orquídea-grande ou orquídea-gigante, mede até 1 metro de altura, estatura muito superior, por exemplo, aos padronizados 15 a 20 centímetros do género Ophrys. Os insectos que seduz – abelhões das espécies Xylocopa violacea e Bombus hortorum – são, também eles, grandes. 

Orquídea-gigante (Barlia robertiana), Serra da Arrábida

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Tremoceiro-amarelo: fiel amigo dos solos

O tremoceiro-amarelo (Lupinus luteus), ou tremocilha, é um fertilizante natural usado na agricultura. A sua principal virtude é a fixar o azoto atmosférico, tarefa que, na verdade, é efectuada por bactérias existentes na raiz. Os tremoceiros são também fonte de néctar para as abelhas e abrigam vespas que eliminam insectos prejudiciais à agricultura.

Tremoceiro-amarelo (Lupinus luteus), Cabo Espichel, Sesimbra

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Moscardo-fusco: a orquídea que imita abelhas

Estamos na época de floração das orquídeas selvagens. Esta é a terceira espécie apresentada na Arca. Dá pelo nome científico de Ophrys fusca e é conhecida por moscardo-fusco ou moscardo-maior. Tal como a orquídea-vespa, a O. fusca também atrai insectos machos ao imitar a cor, forma e cheiro de um insecto fêmea. Neste caso, os enganados são principalmente abelhas do género Andrena.

Moscardo-fusco (Ophrys fusca). Cabo Espichel, Sesimbra (Março de 2013)

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A ilusão sexual na orquídea-vespa

As orquídeas selvagens criaram duas artimanhas absolutamente notáveis para assegurarem a polinização: transformaram uma das pétalas num labelo que se assemelha a um dado insecto fêmea, e produzem feromonas que imitam as dos insectos. Assim, os pobres insectos machos, atraídos pelas “curvas” e “cheiros” falsos, pseudocopulam com a planta e transportam o pólen para outra orquídea.

Orquídea-vespa (Ophrys tenthredinifera), Serra do Risco

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