Olinguito: novo carnívoro, velho conhecido

Nos anos 60 e 70 do século passado Ringerl, uma fêmea adulta, andou de zoo em zoo (Louisville, Tucson, Smithsonian e Bronx) pela mão de bem intencionados tratadores que a emparelhavam com olingos machos, mas sempre sem conseguir engravidar. Ontem, um artigo publicado na ZooKeys, desvendou o mistério da “infertilidade” de Ringerl: ela não era um olingo, mas sim um olinguito (Bassaricyon neblina), nova espécie de mamífero carnívoro descoberta no Novo Mundo nos últimos 35 anos.

Ringerl, a donzela. Foto: Poglayen-Neuwall, 1976, Zoo de Louisville

Continue reading

Golfinhos no Meco e no Sado

É frequente avistar golfinhos no estuário do Sado – há muito que os roazes-corvineiros (Tursiops truncatus) são uma das principais atracções da baía de Setúbal. Menos comum (para mim foi a primeira vez) é vê-los nas praias ao longo da costa. Mas foi o que aconteceu (pelo menos) durante a semana passada na praia do Meco.

Roaz-corvineiro (Tursiops truncatus), estuário do Sado, Setúbal (Julho de 2013)

Continue reading

Lince-ibérico em Vila Nova de Milfontes

No dia 8 de Maio um lince-ibérico (Lynx pardinus) foi fotografado por uma câmara activada por movimento numa zona de caça associativa, em Vila Nova de Milfontes. Trata-se de um macho chamado Hongo, nascido em Doñana em 2011. Contas feitas, Hongo palmilhou mais de 250 quilómetros.

Lince-ibérico (Lynx pardinus). Foto: Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico www.lynxexsitu.es

Continue reading

Novo género para um morcego único

A existência do morcego anteriormente conhecido como Glauconycteris superba é conhecida desde 1939, mas um artigo publicado hoje na revista ZooKeys coloca-o num género novo: o Niumbaha, que significa raro. Assim, o peculiar morcego – cuja pelagem lembra a diferentes autores a de um texugo, a de uma vaca leiteira ou a de um panda – passa a chamar-se Niumbaha superba e tem um género só para si.

Niumbaha superba. Foto: Cortesia da Universidade de Bucknell/DeeAnn Reeder

Continue reading

“Quantas ovelhas são precisas para fazer uma camisola?”

Ontem, ao passar pelo Parque da Boba, Amadora, deparei-me com o já habitual rebanho de ovelhas que pasta naquela zona. Recordei que, há 20 ou 30 anos, outros rebanhos passeavam por Lisboa, nos terrenos onde agora se ergue o Centro Comercial Colombo. E depois lembrei-me do invulgar espectáculo que todos os anos ocorre em Madrid, quando milhares de ovelhas invadem as ruas da capital espanhola no início do Inverno, tradição com cerca de 800 anos.

Parque da Boba, Amadora

Continue reading

Vencedores do concurso de fotografia da The Mammal Society

O desafio era complicado: fotografar comportamentos pouco usuais de mamíferos. “Em comparação com as aves ou até com os insectos, os mamíferos são muito difíceis de observar, quanto mais de fotografar”, reconhece Marina Pacheco, directora-executiva da The Mammal Society, no site da organização.

1.º classificado – O grande vencedor do concurso de fotografia foi Roy Rimmer, ao “congelar” o momento em que uma ratazana-de-água (Rattus norvegicus) salta de uma lata de tinta para outra.

Ratazana-de-água (Rattus norvegicus). Foto: Roy Rimmer / © The Mammal Society

Continue reading

Raposas na cidade

A raposa (Vulpes vulpes) é um dos carnívoros mais bem sucedidos do mundo. Existe na Europa, Ásia e Norte de África, e foi introduzida na América do Norte e na Austrália. A capacidade de adaptação deste carnívoro é notável. Em resposta à perseguição movida pelos humanos (a raposa é uma espécie cinegética, isto é, que se pode caçar), reproduz-se antes de completar um ano de idade e em caso de necessidade aumenta o tamanho das ninhadas e a proporção do número de fêmeas.

Raposa (Vulpes vulpes). Tapada de Mafra

Continue reading

Nasceram 11 ursos nas montanhas espanholas

“Os ursos do Parque Natural de Somiedo bateram o record de reprodução em 2012: sete fêmeas pariram 11 crias”, informou esta semana o Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS). Esta é uma óptima notícia numa região que conta com duas populações de urso-pardo (Ursus arctos) – separadas por 50 km, e uma auto-estrada – que no total somam cerca de 130 indivíduos (100 na subpopulação Oeste e 30 na de Este), mas que no início dos anos 90 contavam apenas com 70 a 80 ursos (50-60 a Oeste e 20 a Este).

Urso-pardo (Ursus arctos). Foto: FAPAS

Continue reading

Era uma vez…

Raposa (Vulpes vulpes). Tapada de Mafra

Em 1988 a RTP estreou o desenho animado O Romance da Raposa, adaptação de Marcello de Moraes da obra homónima de Aquilino Ribeiro, incluída no Plano Nacional de Leitura. (Re)veja-a aqui ou oiça o audiobook aqui.

“Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas – raposeta matreira, fagueira, lambisqueira – corria os bosques, farejando, batendo mato, sem conseguir deitar a unha a outra caça além duns míseros gafanhotos, nem atinar com abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado”.

Aquilino Ribeiro in “O Romance da Raposa”

Nova espécie de baleia

É a baleia mais rara do mundo, dá pelo nome de Mesoplodon traversii (spade-tooth beaked whale – baleia-de-bico), e foi descrita pela primeira vez este mês, na revista Current Biology. A descoberta de um cetáceo em pleno século XXI é um facto incrível, mas não é surpreendente, pois ainda há muito por descobrir na vasta imensidão do mar (esse “terreno” hostil para os humanos, que ocupa mais de 70% da superfície do planeta).

Continue reading

O ponto alto da ciência

Aí estão eles! Entregues ontem, os prémios Ig Nobel são, como diz a revista Nature, “possivelmente o momento mais alto do calendário científico”. Todos os vencedores receberam os seus “galardões” da mão de verdadeiros prémios Nobel. O destaque deste ano vai inteirinho para o holandês Frans de Waal e para a norte-americana Jennifer Pokorny, que conquistaram o Ig Nobel de Anatomia com a descoberta de que os chimpanzés conseguem identificar individualmente outros chimpanzés através de fotografias dos seus traseiros.

 

Continue reading

Nova espécie de macaco

A ordem dos primatas, à qual pertencemos, tem mais um membro – o “lesula” (Cercopithecus lomamiensis). A descoberta desta nova espécie, que habita florestas na República Democrática do Congo, foi ontem publicada no jornal online Public Library of Science. O artigo revela que a equipa do biólogo John Hart encontrara o “lesula” em 2007 numa escola, preso numa gaiola.

 

Foto: Maurice Emetshu

Continue reading

A toupeira que vive na água

A toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) é um dos seres mais estranhos e raros da fauna portuguesa. Como tem hábitos nocturnos, dimensão reduzida (comprimento: 11-16 centímetros; peso 50-70 gramas) e vive parte do tempo na água é muito difícil observá-la na natureza. Daí que a reportagem publicada a semana passada pela BBC News seja óptima oportunidade para ver esta espécie Vulnerável (artigo e vídeo aqui).

 

 Foto: David Perez (retirada da Wikipédia)

Continue reading

O imponente veado

O veado (Cervus elaphus) é o maior cervídeo de Portugal – à frente do gamo e do corço –, e o segundo maior da Europa – atrás do alce. O dimorfismo sexual (diferença entre machos e fêmeas) é evidente, quer pelo tamanho – os machos podem pesar até 250 kg e as fêmeas até 150 kg – quer por apenas os machos terem hastes, que são ramificadas e pontiagudas (as do gamo são espalmadas).

Continue reading

Dama dama

As hastes espalmadas e a pelagem pintalgada distinguem o gamo (Dama dama) das duas outras espécies de cervídeos existentes em Portugal: o veado (Cervus elaphus) e o corço (Capreolus capreolus).

As hastes, ausentes nas fêmeas, caem todos os anos após a época de reprodução e podem alcançar 70 centímetros nos indivíduos mais velhos. Enquanto crescem as hastes estão cobertas por uma epiderme aveludada e são muito irrigadas por vasos sanguíneos. Quando o crescimento anual termina o veludo cai e revela a estrutura óssea.

Continue reading

Os pilares da ponte

Já viram a nova decoração das sapatas da Ponte 25 de Abril, em Lisboa? A Estradas de Portugal inspirou-se nos recentes avistamentos de golfinhos no Tejo e incluiu pinturas de golfinhos, alfaiates, orcas, flamingos e maçaricos nos trabalhos de revestimento de proteção das sapatas (fotos em baixo).

A razão pela qual os golfinhos estão a entrar mais vezes no Tejo não é clara:

– “A poluição do Tejo tem melhorado muito, o que se constata pela observação de espécies sensíveis, como caranguejos, bivalves e alguns peixes. O estuário do rio poderá voltar a ter colónias de golfinhos nos próximos 30 anos”, disse Maria José Costa, do Instituto de Oceanografia, ao Diário de Notícias.

Continue reading