O geométrico percevejo-do-fogo

Por falar em percevejo, este é o abundante Pyrrhocoris apterus – percevejo-do-fogo -, e é facilmente identificável pelos característicos ‘desenhos’ pretos em fundo vermelho. É primo deste outro percevejo, com o qual partilha a ordem (Hemíptera), a subordem (Heteróptera) e a paleta da indumentária.

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O escaravelho-vermelho e as palmeiras decepadas

Aterrou na minha varanda, mas não me lembrava da sua cara trombuda. Espreitei um guia de insectos da Europa e… nada. Finalmente, lá o descobri, numa página do Flickr dedicada a insectos. Dá pelo nome de escaravelho-vermelho, Rhynchophorus ferrugineus, é originário da Ásia, mas já existe em África e na Europa. E é o responsável pelo cenário desolador das palmeiras que se encontram decepadas de Norte a Sul do país e na Madeira.

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Borboleta da sardinheira – uma espécie “nova” em Portugal

Existe em Portugal há mais ou menos 15 anos. Originária da África do Sul, a exótica borboleta-do-gerânio (ou borboleta-da-sardinheira) – Cacyreus marshalli – terá entrado na Europa em 1990, à boleia de um carregamento de gerânios com destino a Espanha.

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Louva-a-deus com sangue na guelra

Julgo que o insecto nas fotos seja uma Stick Mantis (louva-a-deus em forma de pau) – Archimantis latistyla -, espécie nativa da Austrália. O corpo é castanho-claro e os machos (na foto) medem 10 cm de comprimento. As fêmeas são ligeiramente maiores – 11 cm – mas tem asas curtas que não lhe permitem voar e só cobrem metade do abdómen (e este exemplar voou assim que me aproximei dele).

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“Variety Place” – um parque infantil muito especial

Encontrei o Variety Place por acaso e foi uma muito agradável surpresa. Adjacente ao Kings Park, há várias razões para gostar deste parque infantil. Desde logo porque é acessível a crianças com mobilidade reduzida. Depois, pelo uso de materiais naturais, muitos deles reaproveitados.

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Imperador Australiano e movimento de camuflagem

Em 1995 surgiu um novo conceito biológico: o movimento de camuflagem. O que é? Imagine que um animal quer perseguir uma presa sem ser detectado. A solução é mover-se de tal maneira que a presa “pense” que ele está parado, ou seja, que a retina da presa registe sempre a mesma imagem do predador, como se ele fosse um objecto imóvel na paisagem (tendo como referência a presa e outros objectos na paisagem).

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Lagarta que imita o tronco do eucalipto

A camuflagem é a principal defesa da lagarta Entometa fervens, conhecida por “Gumtree Snout Moth”, ou seja, Traça-de-focinho-do-eucalipto. “Gumtree” é o nome genérico de várias espécies de eucaliptos que libertam uma seiva através de qualquer abertura na casca (e é também o nome do portal de vendas de artigos em segunda mão preferido dos australianos). A lagarta alimenta-se destes eucaliptos.

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O que dizem as asas da Argus-do-prado?

Argus era um gigante com 100 olhos. Os 8 “olhos” azuis nas asas da borboleta Argus-do-prado (Meadow Argus) – Junonia villida – foram suficientes para o baptismo que evoca o monstro da mitologia grega. Ao imitarem olhos, as pintas da borboleta servem dois propósitos: assustar potenciais predadores e, caso artimanha não resulte, levar estes a “atacarem” os olhos, permitindo à borboleta escapar com o mínimo possível de danos no corpo. Já a posição das asas revela o estado de espírito da borboleta:

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– Abertas – se o Sol brilha e ela está relaxada

– Completamente bertas – se o Sol brilha e ela pressente perigo (os “olhos” ficam totalmente visíveis)

– Fechadas – se não há Sol

– Levantadas – se não há Sol e pressente perigo (revela alguns dos seus “olhos”)

Joaninha transversal (“Coccinella transversalis”)

Normalmente basta contar as pintas (ou registar a ausência delas) para determinar a que espécie pertence uma dada joaninha. No caso da joaninha-transversal (Transverse Ladybug) – Coccinella transversalis -, em vez de pintas, cada élitro (asas duras) tem duas manchas com três lobos, que lembram as gaivotas dos desenhos das crianças ou, se preferir, o contorno de uma árvore.

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Borboleta Dama Pintada (“Vanessa kershawi”)

A Dama Pintada (Painted Lady) – Vanessa kershawi – pertence ao mesmo género da borboleta preferida do escritor Vladimir Nabokov, mas é mais pequena – a envergadura máxima é de 5 cm – e “desbotada”.

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Cruzado fedorento (“Mictis profana”)

O nome, Percevejo-cruzado (Cruzader bug), deve-o ao distintivo “X” que ostenta no dorso e que alguém achou parecido com a cruz das vestes usadas na “guerra santa” dos séculos XI a XIII. As “lutas” deste percejo são incomparavelmente mais benignas e resultam da sua alimentação: por um lado, causa prejuízos em hortas e pomares de citrinos; por outro, ajuda a controlar uma planta invasora sul-africana (Mimosa pigra). A principal estratégia de defesa é o repelente odor que emana de uma abertura junto ao segundo par de patas. Mede 25 milímetros.

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