Quinta do Mocho: projecto “O Bairro i o Mundo”

No sábado passado visitei as cerca de 30 obras de arte – pintadas, graffitadas ou esculpidas em empenas de prédios de três andares – que decoram a Quinta do Mocho, em Sacavém, Loures. A visita decorreu no âmbito do projecto “O Bairro i o Mundo”, iniciativa da Câmara Municipal de Loures e da Associação Teatro Ibisco, que  quer acabar com o estigma associado a este bairro social, “mostrando o bairro ao mundo e trazendo o mundo ao bairro”.

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Fogo de artifício no Concerto de Ano Novo

Ontem ao final do dia, o relvado do parque de Shelley Beach, na margem do rio Canning, sul de Perth, lembrava o areal da praia de Monte Gordo no Verão: não havia espaço para estender uma toalha. O evento chama-se New Years Day Concert, mas a atracção principal foi o fogo de artifício que encerrou a festividade e que começou às 20:00 horas.

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Um Natal moderno

Nesta última semana os jardins de Perth, Austrália, acolheram vários espectáculos natalícios. Estes Christmas by Candlelight (Natal à luz das velas) ou Carols in the Park (cantigas de Natal no jardim) atraem multidões que, embora não cantem muito, comem que se fartam. Como os eventos começam por volta das 18h, e os australianos jantam cedo, é vê-los chegar carregados de carne (já cozinhada ou pronta para ir para os grelhadores eléctricos que existem tanto nos parques como nas praias), saladas, bebidas e sobremesas, pratos e talheres, cadeiras, toalhas e mantas. Só faltou o cozido à portuguesa.

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Aves fogem de tornado um dia antes de ele chegar

Como por vezes acontece na ciência, a descoberta deu-se por acaso. Para estudar as rotas migratórias da felosa-de-asas-douradas (golden-winged warblers), Henry Streby e os seus colegas da Universidade da Califórnia, EUA, colocaram um geo-localizador de 0,5 gramas nas costas de 20 destas aves (que pesam cerca de 9 gramas). Depois de passarem o Inverno no Sul, as felosas viajaram mais de 2.400 km até à sua área de reprodução nas Montanhas Apalaches. Até aqui tudo bem. No entanto, quando os investigadores analisaram os dados depararam-se com uma inesperada nova migração: depois de regressadas, as aves deram uma voltinha de mais de 1.500 km durante 5 dias.

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Felosa-de-asas-douradas (Vermivora chrysoptera). Foto: Walt Ford, U.S. Fish and Wildlife Service

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Imperador Australiano e movimento de camuflagem

Em 1995 surgiu um novo conceito biológico: o movimento de camuflagem. O que é? Imagine que um animal quer perseguir uma presa sem ser detectado. A solução é mover-se de tal maneira que a presa “pense” que ele está parado, ou seja, que a retina da presa registe sempre a mesma imagem do predador, como se ele fosse um objecto imóvel na paisagem (tendo como referência a presa e outros objectos na paisagem).

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Halloween em Perth

Perth é uma cidade multicultural. As festas de Halloween reflectem essa variedade de tal forma que no mesmo evento misturam-se tradições norte-americanas, italianas, mexicanas e brasileiras. O resultado é um Halloween cheio de cor e ritmo, como mostram as fotos em baixo.

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O que deve saber antes de emigrar para a Austrália – #4

Revivalismo

O fenómeno não é exclusivo da Austrália, mas por aqui assume dimensões assinaláveis. Uma das mais desconcertantes é a moda feminina dos calções à  futebolista dos anos 80, provavelmente a peça de vestuário menos favorecedora que uma mulher pode usar, com excepção da despersonalizante burca.

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O que deve saber antes de emigrar para a Austrália – #3

Objectos perdidos

É possível que exista o equivalente australiano do nosso “Perdidos e Achados”, mas não terá muita utilidade. Imagine que perdeu algo numa qualquer rua da terra dos cangurus. O meu conselho é que percorra o trajecto que fez e esteja atento a sítios onde o seu objecto possa estar pendurado ou pousado, como um muro, árvore ou cerca. Pouco importa o que perca – óculos, chapéus, dinheiro, chaves, canetas, guarda-chuvas, etc. -, o mais provável é que alguém pendure em qualquer lado.

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O que dizem as asas da Argus-do-prado?

Argus era um gigante com 100 olhos. Os 8 “olhos” azuis nas asas da borboleta Argus-do-prado (Meadow Argus) – Junonia villida – foram suficientes para o baptismo que evoca o monstro da mitologia grega. Ao imitarem olhos, as pintas da borboleta servem dois propósitos: assustar potenciais predadores e, caso artimanha não resulte, levar estes a “atacarem” os olhos, permitindo à borboleta escapar com o mínimo possível de danos no corpo. Já a posição das asas revela o estado de espírito da borboleta:

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– Abertas – se o Sol brilha e ela está relaxada

– Completamente bertas – se o Sol brilha e ela pressente perigo (os “olhos” ficam totalmente visíveis)

– Fechadas – se não há Sol

– Levantadas – se não há Sol e pressente perigo (revela alguns dos seus “olhos”)

O que deve saber antes de emigrar para a Austrália – #1

Andar de autocarro: boa educação e no worries

Há detalhes importantes sobre os costumes australianos que não figuram nos folhetos turísticos e nos guias do que deve saber sobre a cultura local.

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Diz-se que na Austrália todos têm carro. Em parte é verdade, mas muitos deslocam-se de transportes públicos. No centro de Perth há quatro percursos circulares percorridos por autocarros – os Cat -, cujo serviço é gratuito. Nos Cat, bem como nos percursos pagos, quase todos os passageiros cumprimentam o/a motorista à entrada e agradecem a “boleia” à saída. Esta demonstração de boa educação tem o seu inconveniente, pois há quem não se contente (na verdade, a maioria) com “gritar” o agradecimento lá da porta de trás e insista em sair pela da frente, atrasando a entrada dos que estão à espera lá fora. Mas ninguém se chateia – a expressão preferida dos australianos é mesmo “no worries” (sem preocupações).

 

Avieiros: história e preservação da memória

O saveiro era um dos barcos que tinha de entrar no livro “Barcos – Mar de Imagens e Palavras”. (re)Descobri-o quando escrevi uma reportagem sobre os avieiros do Tejo. Em baixo encontra o texto integral, que foi publicado em 2009 na revista Gingko. Desta vez ilustram-no fotografias que tirei na aldeia da Palhota.

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Corvos-marinhos à caça (com direito a reviravolta…)

Há poucos dias referi que o corvo-marinho-preto-pequeno caça em formação em “V”. Eis um vídeo que mostra o frenesim de um bando a caçar. Além da meia volta (quase) sincronizada, a parte final lembra-me os contra-relógios por equipas do ciclismo, em que os últimos da fila aceleram para tomar a dianteira do grupo.

 

Pesca, mulheres e peixe-porco-espinho

Há muitas diferenças entre Portugal e Austrália. Uma delas é que na Austrália as mulheres pescam. Claro que também haverá pescadoras em Portugal, mas a verdade é que puxei pela memória e só me recordo de ver uma. Aqui é comum vê-las a pescar sozinhas ou com a família. Também se vêem grupos de adolescentes em amena cavaqueira (há coisas que não mudam) enquanto pescam.

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Causa-efeito: corvos tão capazes como crianças de 7 anos

O escritor grego Ésopo (620 – 560 a.C.) conhecia-lhes a habilidade e usou-a numa das suas famosas fábulas. Em O Corvo e o Jarro relata como um corvo sedento e incapaz de alcançar a pouca água existente num jarro decide enchê-lo de pedras de modo a subir o nível do precioso líquido. Ontem, cientistas britânicos e neo-zelandeses publicaram no PLOS ONE (jornal científico online) os resultados da recriação desta “experiência”.

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St. Patrick’s Day – o verde saiu à rua em Leederville

Ontem, 17de Março, foi dia de Dia de São Patrício (St. Patricks Day), data que celebra a chegada do Cristianismo à Irlanda e que se assinala com pompa em toda a
diáspora irlandesa. Anteontem, em Leederville (Perth), mais de 40 organizações
irlandesas sediadas na Austrália desfilaram numa moldura humana pintada de
verde, laranja e branco.

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A Encantadora de Pegas-cotovias

O título até soa bem – The Magpie Whisperer -, mas a apresentadora seria muito diferente do César Millán: loira, australiana e com 9 anos de idade. Conheci esta mulherzinha no fim-de-semana passado. Sentados na relva, ela sorria enquanto o pai contava que, certo dia, depois de muito a procurarem, encontraram-na no topo de um pinheiro de Norfolk (árvore com altura de um prédio de seis andares), sentada num ramo a “falar” com as pegas-cotovias.

magpie Continue reading