Mundo desconhecido – destaques do Bioscapes Olympus 2014

Há todo um mundo de pormenores fantásticos que até há bem pouco tempo estava reservado a cientistas e técnicos de laboratório e de imagem. Concursos como este 2014 Olympus Bioscapes – International Digital Imaging Competition – que já leva mais de 10 anos de existência – revelam-nos esses detalhes obtidos através das lentes de microscópios. Seguem-se algumas das imagens vencedoras ou merecedoras de menções honrosas:

Alga Micrasterias furcata na fase final da divisão celular.

Autor: Rogelio Moreno Gill (menção honrosa)

2014 HM Moreno Gill 3 MFurcata (1024x553)

© Rogelio Moreno Gill. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

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Imperador Australiano e movimento de camuflagem

Em 1995 surgiu um novo conceito biológico: o movimento de camuflagem. O que é? Imagine que um animal quer perseguir uma presa sem ser detectado. A solução é mover-se de tal maneira que a presa “pense” que ele está parado, ou seja, que a retina da presa registe sempre a mesma imagem do predador, como se ele fosse um objecto imóvel na paisagem (tendo como referência a presa e outros objectos na paisagem).

australian emperor 1 (1024x678)

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Darwin e os “admiráveis” pombos

Num post anterior escrevi sobre a importância que os pombos tiveram na elaboração da Teoria da Evolução. Entretanto fotografei vários pombos e julgo que as imagens ilustram bem a seguinte frase de Darwin: “A diversidade das raças de pombos é verdadeiramente admirável”.

pidgeons perth royal show 1

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Maravilhe-se com as “Wellcome Images Awards 2014”

Ontem à noite soube-se quem foi o vencedor do concurso de imagens científicas Wellcome Images Awards 2014, promovido pelo Wellcome Trust, fundação com o propósito de alcançar “melhorias significativas na saúde dos humanos e dos restantes animais”. A sede do Wellcome Trust situa-se no Reino Unido, mas a fundação actua em todo o mundo, apoiando as mais brilhantes mentes das ciências biomédicas.

Embrião de Peixe-zebra

Autora: Annie Cavanagh

Nota: Ao 4.º dia.

?????????????????????????Zebrafish embryo. Credit: Annie Cavanagh

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“I have a dream” – 50º aniversário

Racismo é estupidez. A nossa cor apenas define a latitude onde viveram os nossos antepassados e a correspondente adaptação à exposição solar.

“I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the colour of their skin but by the content of their character.

I have a dream today!”, Martin Luther King, Washington, 28 de Agosto de 1963

(“Eu tenho um sonho que os meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu carácter. Eu tenho um sonho, hoje!”)

Mapa das cores de pele indígenas

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Evolução, invasoras e a publicação anteriormente conhecida por “jornal de referência”

aqui falei da relação difícil entre o jornalismo e a natureza. Essa dificuldade estende-se a outras secções dos media e tende a agravar-se à medida que cada vez mais bons jornalistas são despedidos, e depois substituídos por estagiários não remunerados, que ficam apenas três meses nas redacções. As duas “gafes” seguintes ocorreram no jornal Público – supostamente o diário nacional de referência –, uma no final de Junho e outra em meados deste mês.

Chorão-das-praias, Ericeira

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Águias e leões no Benfica vs Chelsea

Os dois clubes que disputarão a final da Liga Europa 2012/2013, no dia 15 de Maio, em Amsterdão, têm animais nos respectivos emblemas: a águia, no do Benfica (e também, por exemplo, no do Portimonense e no da Lázio);  e o leão, no do Chelsea (e também, por exemplo, no do Sporting, no do Olhanense e no do Marítimo). No caso do leão é fácil identificar a espécie. Trata-se da Phantera leo, género a que também pertence o tigre (Phantera tigris), o leopardo (Phantera pardus) e o jaguar (Phantera onca). Uma das características que une estes quatro felinos é a capacidade de rugir, graças à ossificação incompleta do osso hióide.

Leão (Panthera leo), Zoo de Lisboa

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Maçarico-das-rochas: quando elas têm vários eles

Há espécies monogâmicas e há outras poligâmicas, ou seja, há espécies em que durante a época de reprodução cada indivíduo mantém apenas um parceiro sexual – as monogâmicas – e outras em que um indivíduo tem vários parceiros. A forma mais habitual de poligamia é a poligínia, situação em que um macho tem duas ou mais fêmeas. O oposto, a poliândria, é mais rara, mas também acontece, como prova a atribulada vida amorosa do maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos).

Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos), Seixal

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Centre for the Unknown – rumo ao desconhecido

Parece o cenário de um filme de ficção científica e próprio nome tem algo de hollywoodesco e futurista: Champalimaud Centre for the Unknown. Este centro de investigação da Fundação Champalimaud localiza-se à beira Tejo, em Lisboa, logo a seguir à Torre de Belém. Ao local de onde há mais de 500 anos os portugueses partiram para revelar novos mundos ao mundo, chegam agora, de uma vintena de países, mais de 400 mentes brilhantes que navegam no desconhecido território das neurociências, oncologia e oftalmologia.

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Darwinismo e Saúde Pública

O aumento de bactérias resistentes a antibióticos é uma ameaça “apocalíptica” que pode espoletar uma “emergência nacional equivalente a um ataque terrorista, a uma pandemia, ou a grandes inundações”. A situação há muito que é preocupante, mas a contundência das palavras proferidas este mês por Sally Davies, directora-geral da Saúde do Reino Unido, não deixaram ninguém indiferente. Segundo ela, daqui a 20 anos os doentes que realizarem uma cirurgia de rotina correm sérios riscos de morrer de infecções.

Staphylococcus aureus, uma das bactérias multirresistentes. Foto: CDC / Don Stalons

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Darwin e os pombos

A maioria dos pombos actuais descende de pombos do Médio Oriente e a presença de cristas depende de uma mutação num único gene, informa um artigo publicado na revista Science em 31 de Janeiro.

Darwin desconhecia a existência de genes: “As leis que regulam a hereditariedade são pela maior parte desconhecidas”, escreveu ele em A origem das espécies. Mas sabia muito sobre pombos:

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Para que serve a anilhagem científica?

Alcochete, segunda-feira, 28 de Janeiro. O termómetro do carro marca 4,5 ºC e ainda falta uma hora para o Sol nascer. Seis anilhadores (5 biólogos e um astrónomo) preparam-se para a segunda sessão de anilhagem de 2013. O objectivo é monitorizar a população de pássaros invernantes, através da colocação de “redes verticais”, cada uma com 18 metros de comprimento, e posterior recolha de informação e anilhagem das aves que nelas caem.

Pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica)

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O ADN é um lugar estranho

Depois do frenesim, o desmentido: “Não sou um Dr. Moreau!”, afirmou George Church, geneticista impulsionador do projecto Genoma Humano e professor da Harvard Medical School, esclarecendo que não procura uma “mulher humana aventureira” para dar à luz um bebé neandertal, aludindo ao personagem da obra A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells.

Imagem: Randii Oliver/NASA

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A evolução do olho

Um artigo publicado em Agosto passado no Biology of Sex Differences conclui que os olhos dos homens são mais sensíveis a pequenos detalhes e a objectos que se movem a grande velocidade, e que os das mulheres são mais sensíveis a cores. “Uma explicação possível é que no cérebro encontram-se receptores da hormona masculina, a testosterona, e a maior concentração desta hormona está na parte superior do cérebro – o córtex cerebral – que é a principal zona visual”, explica Isaac Abramov, um dos autores do estudo, em entrevista à BBC. “Os homens, no seu papel de caçadores, evoluíram as capacidades que permitiam avistar à distância uma presa ou um animal que pudesse representar uma ameaça com maior precisão, enquanto as mulheres aperfeiçoaram as capacidades para melhorar desempenho como colectoras”, acrescenta a jornalista Laura Plitt. “Descobrir” que os homens são mais “sensíveis” à velocidade e as mulheres às cores não parece grande feito. Mas, pela primeira vez, propor que o complexo olho é um produto da evolução, já é algo assinalável. E assustador! Continue reading

“Nunca será cientista”, mas ganhou o Nobel

O Prémio Nobel da Medicina 2012 foi atribuído esta segunda-feira ao médico japonês Shinya Yamanaka (50 anos), e ao biólogo britânico John Gurdon, 79 anos, “pela descoberta de que as células maduras podem ser reprogramadas para serem pluripotentes”. Yamanaka afirmou que receber este prémio só foi possível graças ao trabalho de Gurdon.

John Gurdon. Foto: Wellcome Library, London

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Tributo ao outro pai da Evolução

A partir de hoje está online, num só site (wallace-online.org), toda a extensa obra do britânico Alfred Russel Wallace (1823-1913). Quem foi este homem? Tão só o pai da Teoria da Evolução por selecção natural. E Darwin? Também. A verdade é que ambos chegaram à mesma conclusão, ao mesmo tempo, e em separado.

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Como a natureza escolhe o género

No post “Os homens são todos iguais” referi como os cromossomas sexuais determinam o sexo dos humanos, e mencionei o caso particular dos gatos. De facto, nestes mamíferos, o sexo feminino é determinado pela presença de dois cromossomas X, e o masculino pela presença de um X e de um Y”. Mas esta não é uma regra aplicável a todos os seres.

Nas aves o sexo depende da razão entre os cromossomas X e o Y, que está atrofiado. Assim, XY é uma fêmea (ao contrário do que acontece com os humanos) e XX é um macho. Já os lemingues do Árctico apresentam um sistema com três cromossomas – W, X e Y – em que XY é um macho, XX, WX e WY são fêmeas, e WY não sobrevive.

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“Os homens são todos iguais”

Jerry Seinfeld acha que o smoking é um dispositivo de segurança para casamentos. A ideia subjacente é o ponto de vista das mulheres de que “os homens são todos iguais”. Se o noivo se amedronta, é só escolher outro homem qualquer, e a festa continua.

A verdade é que elas têm uma certa razão na medida em que têm mais diversidade do que eles. Desde logo porque o cromossoma X tem 1 098 genes, enquanto que o Y apenas tem 78 (o sexo feminino é determinado pela presença de dois cromossomas X, e o masculino pela presença de um X e de um Y). Pensava-se que um dos X da mulher estava inactivo, mas a investigação dos norte-americanos Laura Carrel e Huntington Willard mostrou que não é bem assim. Num artigo publicado na revista Nature, em 2005, onde compararam a expressão de 624 genes dos dois cromossomas X de uma célula, concluíram que 15% dos genes supostamente “silenciados” escapavam à inactivação, e que outros 10% também estavam activos, mas só em algumas amostras.

Nos gatos é fácil identificar o efeito desta dupla expressão genética. A chamada pelagem tartaruga, característica das fêmeas, que apresenta manchas de pêlos de cor diferente (na foto).

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Pássaros e Aves

É frequente usar-se o termo “pássaros” para designar “aves”, o que não é correcto. Os pássaros, ou passeriformes, são a ordem com maior número de espécies e a mais diversificada da classe Aves. Todos os pássaros têm três dedos para a frente e um para trás, para se empoleirarem.

A esta ordem pertencem espécies como o corvo, que mede 65 centímetros de comprimento, e a carriça, com apenas 10 centímetros.

Uma das aves desta ordem é o fotogénico pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) – na imagem. Os piscos passam o Inverno em Portugal e, no início da Primavera, rumam a climas mais frios. No entanto, no Norte do país, muitos indivíduos são residentes.

O pisco não apresenta dimorfismo sexual.