Árvores que vi nascer

As oliveiras são as primeiras árvores de que me lembro de ver na Quinta da Luz, Lisboa. Já não existem. Deram lugar a mais um prédio. Eram duas fileiras de belos exemplares que, além de sombra, azeitonas e matéria prima para fisgas, eram palco de inúmeras brincadeiras. Recordo-me das “guerras” onde cones alongados feitos de páginas de listas telefónicas, impulsionados a sopro, saiam disparados dos tubos que “encontrávamos” nas obras.

quinta da luz 1

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Assobiador – o sobreiro mais produtivo de Portugal

O sobreiro (Quercus suber) é, desde 2011, a Árvore Nacional de Portugal, país que é o maior produtor mundial de cortiça. Entre todos os sobreiros lusos há um que se destaca: o Assobiador. Porquê? Porque ele é, de longe, o maior produtor de cortiça.

Assobiador. Sobreiro (Quercus suber), Águas de Moura, Palmela

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Outra melaleuca de “interesse público”

Tal como a melaleuca (Melaleuca armillaris) do jardim Eng. Luís Fonseca, em Setúbal, também esta é uma árvore exótica, de origem australiana, mas pertence à espécie Melaleuca styphelioides e vive em Lisboa, no jardim do Constantino.

Melaleuca (Melaleuca styphelioides), jardim do Constantino, Lisboa

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Paineira em flor

Quando aqui falei da paineira (Ceiba speciosa) de Odemira – exemplar classificado de Interesse Público – referi que a floração ocorria entre Setembro e Novembro. Hoje, ao passar em Belém (Lisboa), lá estavam as lindas flores destas árvores a colorir um dia muito cinzento (estão várias em frente ao Centro Cultural de Belém, com vista para os Jerónimos).

Paineira (Ceiba speciosa), Belém, Lisboa

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Uma árvore na paisagem (6)

A encantadora praça central da aldeia de Porto Covo facilmente conquista e permanece na memória de quem a visita. À partida seria apenas mais uma típica praça alentejana, mas há algo na disposição e contraste das riscas azuis das casas caiadas, com o vermelho dos bancos, portas e janelas, e o verde das pequenas copas das árvores, que torna este lugar inconfundível.

Olaias em flor

Entre Março e Maio as flores das olaias (Cercis siliquastrum) tingem de rosa as ruas, parques e jardins das cidades. Depois da floração surgirão as folhas verdes, com 7 a 12 centímetros de comprimento e em forma de coração, razão pela qual também é conhecida por árvore-do-amor. A História concede-lhe ainda outro nome – árvore-de-Judas –, mas existem dúvidas acerca da origem deste baptismo.

Olaia (Cercis siliquastrum), Odivelas

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Uma árvore na paisagem (1)

Quando era miúdo, nos longínquos anos 80, passava férias no Algarve numa casa que os meus pais arrendavam durante o mês de Agosto. A casa ficava numa ruela de uma pequena povoação, ruela essa que duplicou a extensão com construção desta vivenda e de outras cinco como ela. A rua não tinha nome, mas as indicações que dávamos a amigos eram algo como: “desces a rua principal e viras à direita a seguir ao supermercado, junto a uma casa branca, e é aí, na rua da palmeira”.

Parque das Nações, Lisboa

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Gigantes caídos

Um morto, 21 feridos e 46 desalojados é o pior balanço da tempestade do fim-de-semana, e ainda há populações ainda sem água e sem electricidade. (Hoje o mau tempo continuou junto ao mar, com previsão de ondas de 7 metros, e seis distritos estão em alerta vermelho: Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Porto e Viana do Castelo).

Tudo por causa da chuva e, principalmente, do vento, da deslocação do ar. Não foi uma normal deslocação de ar, é certo. Os meteorologistas chamam-lhe “ciclogénese explosiva”, caracterizada por pressões muito baixas, capazes de provocar vento superior a 130 km/h e subida do nível médio do mar.

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