“Urso-Pardo em Portugal ‒ Crónica de uma extinção” já está nas bancas

Sim, existiram ursos em Portugal, de norte a sul do país, e sim, é possível que, a curto prazo, voltem a existir, mas serão animais que vivem em Espanha e que atravessarão a fronteira, mas que não permanecerão por cá muito tempo. Mas já lá vamos.

Para já, parabéns ao Paulo Caetano pelo seu 20.º livro sobre o património natural e/ou cultural português. É obra, da boa, e é muito necessária.

Desta feita, Urso-Pardo em Portugal – Crónica de uma extinção foi escrito em parceria com Miguel Brandão Pimenta (que foi, até 2012, técnico superior no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde foi autor e coordenador do Centro de Recuperação de Fauna) e tem lançamento oficial marcado para as 18:30h de amanhã, 29 de Novembro, em Lisboa, na Sala “O Século”, Rua do Século, 63. Dois dias de pois, a 1 de Dezembro, ocorrerá o lançamento no Porto, às 19 horas, na Galeria da Biodiversidade no Centro Ciência Viva, Rua de Campo Alegre, n.º 1191.

No passado, o urso-pardo (Ursus arctus) ocupava todo o território continental português. Pensava-se que se extinguira por volta de 1650, mas uma das novidades deste livro é literalmente a notícia (publicada na Revista Universal Lisbonense) da morte de um exemplar durante uma montaria no Gerês, em 1843.

Foto: Paulo Caetano

A perseguição movida pelos humanos foi uma das principais causas para o desaparecimento do urso-pardo no nosso país. O próprio D. Dinis contribuiu directamente para a extinção da espécie quando em Beja, em 1294, decidiu caçar um exemplar. O livro recupera o seguinte relato: O urso arremeteu com êle, e o derrubou do cavalo; mas el rei, sem perder o ânimo, lutou corpo a corpo com o urso, e cravou no peito deste o punhal que trazia à cinta, livrando-se assim dêle“. Noutra página, Paulo Caetano e Miguel Brandão Pereira dão nota de que o monarca estabeleceu o foro que os moradores de Casais de Valoura teriam de pagar quando matassem ursos, porcos monteses, cervos e corços: “(…) darem do vrso as maãos e do porco montes a espadoa e do ceruo e o corço a perna (…)“. Ou seja, teriam de dar as partes mais saborosas de cada espécie, que, no caso dos ursos, são as mãos.

Outra causa decisiva para o desaparecimento da espécie foi a perda de habitat. E alguns dos factores de então continuam bem presentes, como fogos e pinhais e eucaliptais em substituição de carvalhais.
Daí que mesmo que algum exemplar da população espanhola atravesse a fronteira – já foram avistados a poucos quilómetros acima de Vinhais, em Trás-os-Montes -, não encontrará condições para subsistir em Portugal.

Foto: Paulo Caetano

Quanto à população espanhola, nos últimos 30 anos a recuperação tem sido notável. As duas populações que existem nos Montes Cantábricos somam mais de 240 indivíduos. Como é difícil determinar o efectivo exacto, os biólogos recorrem ao número de fêmeas com crias para avaliar a saúde e evolução da população. Os dados apresentados pela Fundación Oso Pardo são estes: em 1989 existiam 6 fêmeas com crias; em 2016 existiam 60 fêmeas com crias.

Há ainda uma outra população nos Pirinéus, com cerca de 42 animais, mas são exemplares que resultam de uma re-introdução, provenientes da Eslovénia. O último urso natural desta região morreu em 2004.

O urso-pardo vive entre 25 e 30 anos. Mede 2 metros; os machos pesam cerca de 115kg e as fêmeas 85kg.

Uma penúltima nota para referir que, além da caça ilegal, estes animais continuam a ser perseguidos de outras maneiras. Hoje mesmo (28 de Novembro), o jornal El País mostra as imagens de dois ursos acossados por um condutor numa estrada da Cantábria.

Finalmente, uma curiosidade que também está neste livro: “no nosso país, Odivelas é a única cidade que exibe no seu escudo um urso.”

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