Dia Internacional da Biodiversidade

Só para lembrar que a Natureza é linda

Alentejo, 2017

e que há 10 anos Ban Ki-moon (então Secretário-Geral da ONU) disse:

A biodiversidade é o fundamento da vida na terra e um dos pilares do desenvolvimento sustentável. A riqueza e a variedade da vida na terra tornam possíveis os serviços indispensáveis que os ecossistemas nos fornecem: água potável, comida, abrigo, medicamentos e roupa. Quanto mais rico em biodiversidade é o ambiente, mais capaz é de recuperar em caso de catástrofe natural. Tudo isto se reveste de uma grande importância para os cidadãos mais pobres do mundo. As pessoas que vivem com apenas alguns dólares por dia dependem da diversidade biológica para satisfazer as suas necessidades básicas. Sem a conservação e uso sustentável da biodiversidade, não conseguiremos realizar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

No entanto, a biodiversidade está a diminuir a um ritmo sem precedentes, o que, por sua vez, deteriora a capacidade de o nosso planeta albergar a vida. É por esta razão que os dirigentes mundiais presentes na Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo, em 2002, concordaram em reduzir consideravelmente, até 2010, o ritmo de perda da biodiversidade. Este compromisso foi renovado na Cimeira Mundial de 2005. Os objectivos, em matéria de diversidade biológica, para 2010 estão já inteiramente integrados no quadro dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e, como prova suplementar da importância que lhe atribui, a comunidade internacional decidiu declarar 2010 Ano Internacional da Diversidade Biológica.

À medida que o mundo presta mais atenção às alterações climáticas, a ligação entre alterações climáticas e biodiversidade é também cada vez mais clara. A “Avaliação dos Ecossistemas para o Milénio” – que se traduz numa avaliação dos ecossistemas mundiais e dos serviços que proporcionam – apontou as alterações climáticas como uma das principais causas da perda de biodiversidade no nosso planeta, juntamente com os regimes de utilização dos solos. Por outro lado, num relatório publicado recentemente, o  Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas deixou claro que as alterações climáticas são reais e continuarão a afectar as nossas vidas e os ecossistemas por muitos anos. Um dos efeitos será a extinção de um número crescente de espécies, o que contribuirá para a degradação de alguns ecossistemas que são já por si frágeis.

É, por isso, apropriado que o tema do Dia Internacional da Diversidade Biológica deste ano seja “Biodiversidade e Alterações Climáticas”. De facto, a conservação e o uso sustentável da biodiversidade são elementos essenciais de qualquer estratégia de adaptação às alterações climáticas. Os mangais e outras zonas costeiras húmidas são um baluarte que nos protege dos fenómenos meteorológicos extremos e da subida do nível do mar. Dado que os terrenos agrícolas são mais quentes e áridos, a diversidade do gado e das culturas de cereais pode dar aos agricultores a possibilidade de se adaptarem às novas condições. As florestas, as turfeiras e outros ecossistemas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e, desta forma, ajudam a atenuar o aumento das emissões de gases com efeito de estufa.

No quadro da Convenção sobre a Diversidade Biológica e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC), a comunidade internacional compromete-se a conservar a biodiversidade e a lutar contra as alterações climáticas. A resposta mundial a estes desafios tem de ser muito mais rápida e determinada a todos os níveis – mundial, nacional e local. Para o nosso bem e o das gerações futuras, temos de alcançar os objectivos fixados nestes instrumentos cruciais.

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