Uma pausa com Soares de Passos

Inaugurada no dia 18 do mês passado, a nova secção do megalómano Parque dos Poetas, em Oeiras, permitiu-me descobrir alguns autores e reencontrar outros já quase perdidos nos confins da (pouco fiável) memória. Entre as descobertas conta-se António Augusto Soares de Passos (1826-1860), de quem aqui fica o poema Desejo, ilustrado por fotos que tirei na sua ‘ilha’.

“Oh! quem nos teus braços pudera ditoso
No mundo viver,
Do mundo esquecido no lânguido gozo
D’infindo prazer.

parque dos poetas soares passos 1
Sentir os teus olhos serenos, em calma,
Falando d’além,
D’além! duma vida que sonha minha alma,
Que a terra não tem.

Eu dera este mundo, com tudo o que encerra
Por tal galardão:
Tesouros, e glórias, os tronos da terra,
Que valem, que são?
parque dos poetas soares passos 2
A sede que eu tenho não morre apagada
Com tal aridez:
Pudesse eu ganhá-los, e iria seu nada
Depor a teus pés.
parque dos poetas soares passos 3
E só desejando mais doce vitória,
Dizer-te: eis aqui
Meu ceptro e ciência, tesouros e glória:
Ganhei-os por ti.

A vida, essa mesma daria contente,
Sem pena, sem dor,
Se um dia embalasses, um dia somente,
Meu sonho d’amor.

parque dos poetas soares passos 4
Isenta do laço que ao mundo nos prende,
A vida que vale?
A vida é só vida se o amor nela acende
Seu doce fanal.

Aos mundos que eu sonho pudesse eu contigo,
Voando, subir;
Depois que importava? depois no jazigo
Sorrira ao cair”. 

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