Bailado com pitão

Há um mês que sou voluntário em Perth num centro de recuperação de animais selvagens. Como o trabalho implica manusear animais – por exemplo, para os retirar das gaiolas de modo a poder limpá-las – decidi frequentar um mini-curso que ensina a mexer nos bicharocos.

Antaresia-stimsoni-1

Pitão de Stimsoni (Antaresia stimsoni). Foto: Stewart Macdonald

No curso tive a oportunidade de pegar num pitão, mais exactamente num exemplar da espécie Pitão de Stimsoni (Antaresia stimsoni). Dos conselhos da formadora saliento três: estar calmo, não “apertar” o animal e oferecer-lhe o maior número possível de pontos de apoio.

Estas dicas resultam num verdadeiro bailado entre as nossas mãos e o pitão. O réptil, em movimento contínuo, esgueira-se entre os dedos “observando” com a língua o espaço que o rodeia, inclui o interior da manga do meu casaco. As mãos sustentam-no delicadamente, tentando que se mova sem sair do sítio.

A razão para procurar o maior número de pontos de contacto é simples: proteger as articulações do esqueleto da serpente. De facto, não é por acaso que as cobras sentem-se confortáveis à volta dos ombros e pescoço dos humanos.

from dusk till dawn

Infelizmente, quando não existe este cuidado com o manuseamento, muitas cobras usadas em actividades de sensibilização ambiental ou mantidas como animais de estimação sofrem de graves problemas na coluna.

Última nota: no centro, que para todos os efeitos é um hospital, não se pode fotografar, razão pela qual não há registo do meu bailado com o pitão que, comparando com o da foto, era bem mais pequeno…

 

Related posts / Posts relacionados: