Cobra-tigre… e um arrepio na espinha

O Lago Monger é circular. Na periferia há dois caminhos para peões e bicicletas: um exterior, o mais utilizado por todos os que usufruem do lago; um interior, em pior estado, menos frequentado e com zonas alagadas. Placas nas entradas do percurso exterior alertam: “Caution: snakes have been sighted in this reserve” (Cautela: avistaram-se cobras nesta reserva). O cartaz não especifica se são venenosas. Não precisa. Todas são.

tiger-snake_lake_monger

A primeira vez que cheguei à bifurcação com a placa pensei duas vezes se seguiria, ou não, o “caminho das cobras”. Lembrei-me das palavras de Robert Frost e lá segui “the one less travelled“. Quer dizer, não foi bem assim. A verdade é que passou por mim um miúdo de triciclo que seguiu o tal caminho, pelo que achei que não haveria problema.

cartaz_lago_monger

Ontem segui mais uma vez por esse percurso interior. Andei uma vintena de metros e, na sombra das árvores, vi algo no chão que me pareceu ser um pneu estragado de bicicleta, por ser longo, grosso e ondeado. De repente o “pneu” mexeu-se, alongou-se e rastejou para o interior da vegetação. Como tinha a máquina preparada para fotografar com muita luz mal tive tempo para um disparo. Alertei um senhor que passava para a presença do animal, e assim lá arranjei companhia… “It’s a tiger-snake” (Notechis scutatus), informou-me. Venenosa?, perguntei, ainda com uma réstia de esperança. “They all are”. pois.

Ainda fiquei a saber que se bater os pés no chão elas provavelmente fogem – parece que mordem principalmente crianças, pois estas pensam tratar-se de um brinquedo e tentam agarrá-las – e que, se for mordido, tenho 4 horas para chegar ao hospital.

Related posts / Posts relacionados: