Balanço de 2013 – Ratos atirados de helicóptero matam cobras

No final da Segunda Guerra Mundial, a invasão acidental da ilha de Guam pela cobra-castanha-das-árvores (Boiga irregularis) resultou no desaparecimento de 10 das 12 espécies indígenas de aves e de várias espécies de mamíferos e de répteis.

Cobra-castanha-das-árvores (Boiga irregularis). Foto: Soulgany 101

Além dos danos ecológicos, a cobra-castanha-das árvores causou prejuízos económicos nesta ilha do Pacífico: só em 2005 gastaram-se 4 milhões de dólares para reparar cabos eléctricos destruídos pela B. irregularis.

Tentativas para erradicar ou controlar o réptil invasor incluíram estratégias como o uso de armadilhas, capturas manuais e detecção com cães treinados para o efeito.

Uma das estratégias mais eficiente é a utilização de presas contaminadas com veneno.

Foto: U.S. Department of Agriculture

Na Madeira usam-se aviões para libertar machos estéreis, mas vivos, de mosca-da-fruta. Em Guam recorre-se a helicópteros para atirar ratinhos mortos, presos a um cartão ligado a uma fita de papel, e injectados com 80 miligramas de – imagine-se – Paracetamol, dose letal para a cobra-castanha-das-árvores.

Foto: U.S. Department of Agriculture

Assim, em 2013, realizou-se a quarta largada aérea, que contou com 2.000 roedores. Espera-se que ao fim de 4 a 5 semanas este método de controlo diminua o efectivo populacional em cerca de 80% a 90%.

Estima-se que a população de B. irregulares de Guam ronde os 2 milhões de indivíduos. A espécie já foi avistada noutras regiões próximas de Guam, mas ainda sem indícios de reprodução.

Como nunca é demais lembrar o cuidado que todos devemos ter para que espécies exóticas não se tornem invasoras, aqui ficam as recomendações do Instituto da Conservação da Natureza (ICN):

  • No caso de ter uma espécie exótica (mesmo que não seja invasora) e se não a puder manter, nunca a liberte na natureza, contacte o ICN.
  • Antes de plantar espécies no recreio da sua escola, em casa ou em espaços públicos assegure-se de que não são invasoras nem têm risco ecológico conhecido. Consulte a legislação.
  • Se existirem espécies invasoras no recreio da sua escola ou em espaços públicos informe-se acerca da melhor forma de as erradicar e substituir e faça um projecto de reabilitação com os alunos e a autarquia ou outras entidades.
  • Não compre espécies invasoras e informe o ICN se as encontrar à venda.

 

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