Andanças 2013: Festa na Floresta

Estranhar a mudança é humano. O novo local do Andanças e a inevitável comparação com Carvalhais, S. Pedro do Sul, foi tema de muitas conversas no recinto do festival, junto à barragem de Póvoa e Meadas, Castelo de Vide. Veredicto? Ambos os locais têm prós e contras, mas a decoração nocturna do novo espaço acrescenta uma dimensão quase mágica ao evento. Mas há outras razões para enaltecer a opção Castelo de Vide.

A principal vantagem de Carvalhais era a concentração do evento num espaço curto, o que permitia encontrar facilmente pessoas, concertos e workshops. Depois é impossível não recordar a biodiversidade e as fantásticas paisagens da região: a Serra da Arada, a Aldeia da Pena, o percurso que liga os três municípios de Lafões (S. Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades) ao longo do Vouga, os poços onde se tomavam refrescantes banhos (o Negro, onde se ia a pé; o Azul, que valia bem a viagem de carro), etc.. 

Certo de que Castelo de Vide terá paisagens igualmente deslumbrantes, os principais contras desta opção são a enorme dimensão do recinto e o declive. É certo que quando nos queremos refrescar basta dar um mergulho na barragem (por vezes temos de nadar até ao meio do lençol de água para encontrar água fria!), mas subir a encosta até lá (e é ali que está a cantina) é esgotante.

 A dimensão faz com que um dos maiores palcos passe quase despercebido, o que afecta as actividades que aí decorrem e o bar aí instalado. Também “obriga” a andar com o telemóvel no bolso para “encontrar” os amigos, o que vai contra a minha ideia de “férias” na natureza.

 WORKSHOPS

As restantes “falhas” do novo local devem-se provavelmente ao facto de tratar-se de uma estreia. Assim, há vários pormenores a afinar, como a falta de iluminação no campismo, a falta de água nos duches e a escassez de urinóis, que comprometeu a “sustentabilidade” das casas de banho secas. A zona destinada às crianças pareceu-me bem menos acolhedora e com menos actividades em comparação com Carvalhais.

Vantagens? Além das lindíssimas “praias” encostadas ao recinto, o novo espaço destaca-se pela quantidade e qualidade das áreas de descanso.

 RELAX

Nesse e noutros aspectos a organização – a cargo da Associação Pédexumbo – soube tirar o melhor partido de o recinto encontrar-se em plena floresta (ainda que nela predominem eucaliptos e acácias), por exemplo, construindo um palco em torno de uma árvore. 

Lá em baixo, naquilo que baptizámos de “praça central” (onde está a maior parte da restauração), as várias actuações, aparentemente espontâneas, repescaram o espírito de “animação de rua”, que promove a interacção entre artistas e público, e que de certa forma andava arredado do Andanças.

ANIMAÇÃO DE RUA

De volta à decoração, esta não se esgota na iluminação nocturna do arvoredo, mas vê-se em detalhes como os bebedouros ou as placas de orientação. Depois, o facto de os artesãos e respectivas bancas estarem dentro do recinto (ao contrário do que acontecia em Carvalhais), acrescenta novas cores, texturas e aromas ao festival.

DECORAÇÃO

 

Destaco ainda duas “características” que permanecem e tornam o Andanças único: a caneca (cada um tem a sua e anda com a mesma durante todo o festival) e o respeito pelo outro (e pelo ambiente), virtude que parece impregnar todos os que por ali andam.

Em jeito de resumo, recordo as palavras do Paulo Pereira, mentor do Andanças, num artigo que escreveu em 2004 sobre o festival: “Desde o início que o Andanças é um projecto que não se limita a uma produção cultural; pelo contrário, a necessidade de organizar e produzir o festival tem como motivação a divulgação da dança e, mais abrangentemente, de todas as formas de cultura participativa; pretende com isso ser uma ilha alternativa onde não existe televisão, comércio ou cultos, tendo como apelativo a descoberta do outro, a interactividade, a aprendizagem, o prazer de sentir em grupo a música, a dança, o teatro ou a descoberta da Montanha”.

BAILES

Related posts / Posts relacionados: