Conservação do lagarto-ágil na Grã-Bretanha

Há (pelo menos) duas boas razões para contar esta história: É um caso de sucesso de uma estratégia de conservação; revela o empenho e o trabalho em equipa de várias instituições e cidadãos.

A espécie em causa é o lagarto-ágil (Lacerta agilis) – em inglês, sand lizard, o que significa lagarto-da-areia –, que quase desapareceu durante o século XX no Reino Unido devido à destruição dos seus dois habitats de eleição: as dunas e as charnecas. O declínio foi assustador: extinção em 10 áreas de ocorrência; redução de 97%, 95% e 90% do efectivo populacional em Merseyside, Surrey e Dorset, respectivamente.

Lagarto-ágil (Lacerta agilis) criado no Zoo de Chester. Foto: Chester Zoo

A espécie não existe na Península Ibérica, mas está presente em grande parte da Europa onde tem estatuto de conservação Pouco Preocupante. No Reino Unido, face aos números anteriores, recebeu estatuto de protecção elevado e a sua conservação passou a prioritária.

Lagarto-ágil (Lacerta agilis) criado no Zoo de Chester. Foto: Chester Zoo

Assim, há 18 anos iniciou-se um trabalho de recuperação e preservação do habitat, de monitorização e de reprodução em cativeiro com posterior libertação na natureza. No início desta semana especialistas libertaram 70 juvenis na costa de Flintshire. Os animais nasceram em 10 instituições diferentes. Uma delas é o Zoo de Chester. “É fantástico participar na libertação destes animais na natureza. É muito compensador ver a espécie recuperar de uma situação crítica devida à perda de habitat”, diz Isolde McGeorge, tratadora do Zoo de Chester.

Libertação de lagartos-ágeis na natureza. Foto: Chester Zoo

Até ao final da semana, 400 animais repovoarão outras quatro regiões. Os bichos terão um mês para habituarem-se à nova casa, antes de hibernarem em Outubro.

Lagarto-ágil (Lacerta agilis) criado no Zoo de Chester. Foto: Chester Zoo

No total, e desde o início deste programa de conservação coordenado pelo Fundo de Conservação de Répteis e Anfíbios (Amphibian and Reptile Conservation Trust – ARC Trust), em 1994, cerca de 9.000 juvenis foram criados em cativeiro e libertados no habitat natural. A taxa de sucesso destas operações ronda os 80% (por exemplo, por vezes o habitat escolhido para a libertação não é o ideal), ainda que apenas 25% a 30% dos juvenis sobreviva.

Lagarto-ágil adulto. Fonte: Wikipédia

No projecto de conservação daquele que é o maior lagarto das ilhas britânicas (cerca de 20 cm) também participam outras entidades (Natural Resources Wales, Natural England, Marwell Wildlife, New Forest Reptile Center, Avon Heath Country Park, etc.) e vários voluntários, individuais ou de associações de defesa de répteis e anfíbios, que asseguram a monitorização dos animais libertados.

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2 thoughts on “Conservação do lagarto-ágil na Grã-Bretanha

  1. Que boa notícia! Apesar desses bichinhos me arrepiarem. 🙂

    Acho que já vi desses verdes, mas em azul, qual a diferença entre uns e outros? Só de olhar para essas carinhas não consigo ver mais nada. Outra pergunta, existem osgas brancas? Tive um encontro com uma dessa cor, mas estou na dúvida.

    • Estes não existem em Portugal. O mais parecido que temos talvez seja o lagarto-d’água, que tem tons azulados.
      Quanto às osgas, as duas espécies que cá existem mudam de cor conforme o estado de espirito e a superfície onde se encontram, pelo que se estiverem numa parede branca é provável que tenham um tom esbranquiçado. 🙂
      http://www.arcadedarwin.com/2012/04/17/o-graal-da-decoracao/

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