O Jaime, a canoa e os Huckleberrys

Houve quem duvidasse de que flutuaria, quanto mais de que aguentaria com o peso de dois adultos (um dos quais com mais de 90 kg). Jaime Pais, carpinteiro desde os 14 anos e construtor da embarcação feita de folhas de atabua (junco), sabia que funcionaria. É uma daquelas certezas que resulta de muitos anos de experiência a trabalhar as matérias-primas da Natureza.

Jaime Pais, Santa Clara-a-Velha, Odemira

No caso da atabua, Jaime secava-a ao sol e usava-a para construir esteiras e tampos de cadeiras.

Atabua

 Finalmente, a hora de lançar a embarcação à água chegou. E, claro, flutuou na perfeição. A iniciativa aconteceu no primeiro dia do Festival do Solstício (21 de Junho), na aldeia de Santa Clara-a-Velha, Odemira.

 A canoa encantou a criançada, mas os adultos também não lhe resistiram. Huckleberrys Finns de todas as idades aventuraram-se rio acima.

 Nem quando os remos desapareceram a canoa descansou: A miudagem usou a  imaginação e recorreu a varas para impulsionar a embarcação.

Os saltos e o excesso de carga deixaram marcas nos mui trabalhados extremos da canoa, que agora serão reforçados com bambu, garantiu Jaime.

Organizado pela associação PédeXumbo, este festival de música e dança incorporou também várias artes e saberes da comunidade local, como a gastronomia, música e artesanato. Na exposição “Artes da Terra” deparei-me com duas peças criadas pelo Jaime:

Com o Jaime aprendi – entre muitas outras coisas – para que servem as madeiras de diferentes espécies de árvores. Contou-me que usava a madeira do amieiro, que fica da cor da cerejeira, para construir móveis, por ser macia; a do freixo, que demora vários anos a secar, no exterior das casas, por ser rija; e a do choupo nos telhados, por ser mais leve.

Agora a canoa de atabua rumará a Castelo de Vide, onde integrará o Laboratório de Bioconstrução que se realizará durante o Andanças 2013, festival também organizado pela PédeXumbo.

 

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