Centre for the Unknown – rumo ao desconhecido

Parece o cenário de um filme de ficção científica e próprio nome tem algo de hollywoodesco e futurista: Champalimaud Centre for the Unknown. Este centro de investigação da Fundação Champalimaud localiza-se à beira Tejo, em Lisboa, logo a seguir à Torre de Belém. Ao local de onde há mais de 500 anos os portugueses partiram para revelar novos mundos ao mundo, chegam agora, de uma vintena de países, mais de 400 mentes brilhantes que navegam no desconhecido território das neurociências, oncologia e oftalmologia.

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“Quantas ovelhas são precisas para fazer uma camisola?”

Ontem, ao passar pelo Parque da Boba, Amadora, deparei-me com o já habitual rebanho de ovelhas que pasta naquela zona. Recordei que, há 20 ou 30 anos, outros rebanhos passeavam por Lisboa, nos terrenos onde agora se ergue o Centro Comercial Colombo. E depois lembrei-me do invulgar espectáculo que todos os anos ocorre em Madrid, quando milhares de ovelhas invadem as ruas da capital espanhola no início do Inverno, tradição com cerca de 800 anos.

Parque da Boba, Amadora

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Pequenos monstros

Os pequenos e divertidos monstros que patrulham a margem do Tejo, entre o restaurante Portugália e a discoteca Urban Beach, em Lisboa, lembram a quem passa que há seres que habitam o rio e o mar onde ele deságua. Não é uma associação óbvia, pois em certos casos pouco resta das espécies originais nas criaturas pintadas nos cabeços onde se amarram os barcos. No entanto é fácil identificar, por exemplo, os tubarões e o polvo (e a ave e a vaca) que terão inspirado a artista italiana que os pintou, em 2011 (fonte: Galeria de Arte Urbana).

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O raro Perna-verde

Mesmo junto ao passeio da marginal do Seixal, na pequena faixa de rochas e areia que antecede o Tejo, é fácil observar aves comuns, como a garça-branca-pequena, o pato-real, a rola-do-mar e o guincho. No entanto, por vezes também surgem espécies menos habituais, como é o caso deste perna-verde-comum (Tringa nebularia), cuja população portuguesa não vai além dos 250 indivíduos adultos, razão pela qual o seu estatuto de conservação é Vulnerável (a nível internacional o estatuto é Pouco Preocupante).

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Serra do Risco – uma falésia com 381 metros

Inserida na cordilheira da Arrábida, em Setúbal, a Serra do Risco possui a mais alta falésia marítima de Portugal Continental. Tanto quanto sei, a origem do nome não é clara: ou deve-se à linha (quase) direita que desenha no horizonte, ou ao “risco” a que o rei D. Afonso Henriques se sujeitou quando dividiu as suas tropas durante uma batalha.

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A ternura, segundo C215

É absolutamente comovente o retrato da mulher com a criança ao colo que embeleza a Travessa dos Brunos, junto à Calçada da Pampulha, em Lisboa. O autor é o francês Christian Guémy, mais conhecido por C215, nome que foi buscar a um quarto por onde passou e com o qual assina (pequeno cubo do lado direito da cabeça da mulher) as peças em estêncil. 

Peça de C215, Lisboa

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Orquídea-gigante

O nome faz sentido no universo das orquídeas. A Barlia robertiana, conhecida por orquídea-grande ou orquídea-gigante, mede até 1 metro de altura, estatura muito superior, por exemplo, aos padronizados 15 a 20 centímetros do género Ophrys. Os insectos que seduz – abelhões das espécies Xylocopa violacea e Bombus hortorum – são, também eles, grandes. 

Orquídea-gigante (Barlia robertiana), Serra da Arrábida

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Vencedores do Sony World Photography Awards 2013

Esta semana a World Photography Organization (WPO) revelou os vencedores das competições Aberta, Jovens e 3D do concurso Sony World Photography Awards 2013. Escolhidas entre mais de 55.000 imagens captadas em países de todo o mundo, as fotos premiadas deslumbram, além da qualidade técnica, pela aura mágica que conferem a instantes e paisagens reais.

“Welcome to the World of the Spider”, por Krasimir Matarov, Bulgária. Vencedor da categoria Nature & Wildlife.

©Krasimir Matarov, Bulgária, vencedor da categoria Nature & Wildlife, Open Competition 2013 Sony World Photography Awards

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Humor e criatividade em prol do ambiente

Alguns dos mais consagrados e famosos designers e criativos do mundo aceitaram o desafio da ONG Do the Green Thing e criaram 23 posters que apelam à acção contra as alterações climáticas. A ONG apresentou o primeiro poster no dia 1 de Março e, de então para cá, revela um por dia, até dia 23 de Março. Porquê esta data? Os posters são mais um veículo de promoção do evento Hora do Planeta que este ano decorre no próximo Domingo, 23 de Março, entre as 20:30 e as 21:30.

“Cut your shower short”, por Michael Bierut. Ao reduzir 2 minutos à duração do banho poupará 16.425 litros de água por ano.

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O estranho caso da acácia que assobia, do elefante e da formiga (Selos – Uganda)

Acácia (Acacia drepanolobium). Uganda. 1969.

O surpreendente assobio até é um dos factos menos extraordinários desta história.

A acácia “assobiadora” (em inglês, “Whistling thorn”), Acacia drepanolobium, deve o nome ao som produzido pela passagem do vento nas galhas esburacadas que existem na base dos espinhos. As aberturas desta ocarina vegetal são portas feitas por formigas que vivem nas galhas. A generosidade da acácia para com as formigas não se fica pelo alojamento: a árvore também fornece alimento sob a forma de uma secreção de néctar. Na verdade, esta generosidade esconde um propósito mais interesseiro por parte da acácia, que é o de defender-se do “ataque” de herbívoros. Os espinhos que crescem aos pares nos nódulos dos ramos não dissuadem os elefantes de consumir as folhas desta árvore. No entanto, os poderosos elefantes recuam perante a ameaça das minúsculas formigas. Tal acontece porque estes insectos entram na tromba do paquiderme e ferram o tecido que, ali, é extremamente sensível.

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