Felosinha

De certeza que já a viu. O Inverno é ideal para observá-la em qualquer jardim, parque ou baldio, pois é nesta altura que é mais abundante. Mais pequena e bem mais irrequieta do que o pardal, a felosa-comum (Phylloscopus collybita), ou felosinha, mede 11 centímetros de comprimento e distingue-se das outras felosas pelo tom cinzento acastanhado da plumagem, pernas escuras e lista supraciliar (por cima do olho) pouco distinta.

As ondas gigantes da Nazaré

O Canhão da Nazaré é uma espécie de Grand Canyon, mas está debaixo de água, é de origem tectónica (o desfiladeiro norte-americano resulta da acção do rio Colorado) e mede “apenas” 211 km de comprimento (contra 446 km do Grand Canyon). E, ainda que indirectamente, está nas bocas do mundo, pois terá proporcionado mais um record do mundo ao havaiano Garrett McNamara: o de surfar uma onda de 30 metros.

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Orvalho

“(…) Vivo a natureza integrado nela. De tal modo que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno (…)”

Miguel Torga in “Diário” (1942)

Azedas. Alcochete.

O ADN é um lugar estranho

Depois do frenesim, o desmentido: “Não sou um Dr. Moreau!”, afirmou George Church, geneticista impulsionador do projecto Genoma Humano e professor da Harvard Medical School, esclarecendo que não procura uma “mulher humana aventureira” para dar à luz um bebé neandertal, aludindo ao personagem da obra A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells.

Imagem: Randii Oliver/NASA

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Os biocombustíveis de síntese e a prevenção dos fogos florestais em Portugal (post convidado)

Texto: Jorge Lucas, assessor técnico da Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo (APTTA)

O processo de produção de biocombustíveis de síntese (BTL – Biomass To Liquid) permite converter qualquer tipo de biomassa em combustíveis líquidos com características idênticas aos combustíveis obtidos a partir do petróleo. Biomassa (resíduo florestal) é matéria-prima abundante nas matas e florestas nacionais. Atualmente já não há necessidade de proceder à recolha de lenha para aquecimento e preparação de refeições; a pastorícia é cada vez mais concentrada e “aditivada”, percorrendo áreas de território cada vez menores. Como resultado a floresta acumula combustível até… à próxima época de fogos florestais.

Algarve (incêndio de 2005). Foto: Osvaldo Gago

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Mais um post convidado

Os “posts convidados” trazem à Arca perspectivas diferentes sobre a Natureza e o Ambiente. Desta feita é um privilégio contar no próximo post com um artigo de Jorge Lucas, assessor técnico da Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo (APTTA), sobre o futuro dos biocombustíveis na aviação.

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Corvo-marinho-de-faces-brancas

Em praias ou em zonas urbanas costeiras, em estuários ou em águas interiores, é fácil observar o corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo), e em qualquer altura do ano, ainda que seja mais abundante no Outono e no Inverno. A plumagem é preta, com uma mancha branca nas bochechas (tal como o nome indicia). No entanto, no início da Primavera despontam manchas brancas no pescoço, cabeça e coxa dos adultos reprodutores. Os olhos são verdes. 

Corvo-marinho-de-faces-brancas. Parque das Nações, Lisboa.

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Gigantes caídos

Um morto, 21 feridos e 46 desalojados é o pior balanço da tempestade do fim-de-semana, e ainda há populações ainda sem água e sem electricidade. (Hoje o mau tempo continuou junto ao mar, com previsão de ondas de 7 metros, e seis distritos estão em alerta vermelho: Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Porto e Viana do Castelo).

Tudo por causa da chuva e, principalmente, do vento, da deslocação do ar. Não foi uma normal deslocação de ar, é certo. Os meteorologistas chamam-lhe “ciclogénese explosiva”, caracterizada por pressões muito baixas, capazes de provocar vento superior a 130 km/h e subida do nível médio do mar.

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Prémio “Mulheres na Ciência” 2012

Parabéns às três vencedoras das Medalhas de Honra L’Oreál Portugal para as Mulheres na Ciência. Entregues na quarta-feira, 16 de Janeiro, distinguiram Ana Abecasis, 33 anos, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Ana Ribeiro, 32 anos, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, e Leonor Morgado, 29 anos, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Cada premiada recebeu 20.000 euros.

Cerimónia de entregue dos Prémios. Ana Ribeiro, Ana Abecasis e Leonor Morgado (da esquerda para a direita). Na foto também estão António Ribeiro, presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Rodrigo Pizarro, country manager da L’Oréal Portugal, e Paulo Pereira, vice-presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (da esquerda para a direita). Foto: L’Oreál Portugal

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A Calçada da Buganvília

Algum dia o poema será a buganvília

pendente deste muro da Calçada da Graça.

Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,

E além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa (…)”

 António Gedeão (Rómulo de Carvalho), “Poema da Buganvília”

Calçada da Graça, Lisboa

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Conservação do priolo em risco

O priolo (Pyrrhula murina) é a ave canora mais ameaçada da Europa e existe apenas na Serra da Trunqueira, na ilha de S. Miguel, Açores. No início do século XX era abundante, mas a perseguição movida pelos agricultores, descontentes com o apetite do pássaro por flores de laranjeira, e a perda de habitat provocaram fortes danos na população. Assim, à entrada do século XXI, existiam menos de 140 priolos e a espécie tinha estatuto de Criticamente em Perigo de extinção. Na última década, e por acção da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea), os números do priolo subiram para cerca de 1.000 indivíduos. Como?

Foto: Spea

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