Memes e Fábrica Simões

“A maior parte daquilo que o homem tem de pouco usual pode ser resumido numa palavra: «cultura»”. É assim que o biólogo Richard Dawkins justifica a singularidade do Homo sapiens, no livro O gene egoísta (1976). E acrescenta: “A transmissão cultural é análoga à transmissão genética, no sentido de que (…) pode dar origem a uma forma de evolução”. O alvo desta evolução não são os genes, mas sim os memes, definidos por Dawkins como “unidades de transmissão cultural”. Os memes replicam-se e evoluem a velocidade muito superior à da evolução genética. Uns perduram, outros extinguem-se rapidamente. Exemplos: “Melodias, ideias, lemas, modas de vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos”, enumera Dawkins.

A singularidade do homem passa também por intervir, bem ou mal, na sobrevivência de certos memes – que, tal como os genes, são “replicadores inconscientes e cegos” –, como os que formam o património nacional (edifícios, espécies, paisagens, ideias…).

Esta introdução vem a propósito da recente visita que fiz ao que resta da Fábrica Simões, em Benfica, e de uma nova página na Arca – Memes -, onde encontra uma galeria sobre a Fábrica Simões.

Os moradores da freguesia lisboeta lutaram pela preservação da memória desta empresa têxtil – fundada em 1907 e encerrada em 1987 –, um dos últimos exemplares de arquitectura industrial na capital. A Fábrica chegou a empregar 1.500 trabalhadores, alguns dos quais crianças, mas também inovou na protecção social e cuidados de saúde. Encontra “réplicas” dessas memórias aqui, aqui, e aqui.

O futuro passa pela construção no local da “Villa Simões”, loteamento de 48.000 metros quadrados. Além de centenas, o projecto contempla “uma vertente de preservação da memória da antiga Fábrica Simões, por via da criação de uma valência museológica de arqueologia industrial, lê-se no Boletim Municipal de Lisboa (nº. 834, 2º. suplemento, Fevereiro de 2010).

 

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