Paisagens da Nova Zelândia – Post convidado

Texto e fotos: Célia Mendes*

Costumo dizer que é fácil tirar boas fotografias de paisagens na Nova Zelândia. A beleza é tanta que é difícil não a captar. É um país de facto lindíssimo e que já considero uma das minhas pátrias: tenho-lhe um amor que normalmente só se reserva às paisagens da nossa infância.

Montanha Longslip, Lindis Pass. Foto: Célia Mendes

Se em todo o país vivem 4,4 milhões de pessoas – numa área três vezes maior do que Portugal –, na ilha Sul, onde vivo, e que é duas vezes maior que a ilha Norte, vivem apenas um milhão de pessoas. Um milhão de pessoas e 20 e tal milhões de ovelhas! Sim, é difícil tirar uma fotografia na Nova Zelândia que não contenha uma ovelhita!

Otago. Foto: Célia Mendes

A Nova Zelândia vende uma imagem de país “verde”, mas a verdade é que ainda tem muito caminho por andar no que diz respeito à protecção do ambiente e dos recursos naturais. Mas esta imagem é fácil de vender dada a baixa densidade populacional, principalmente na ilha Sul. O facto de serem poucos os humanos nesta ilha tem permitido que muita da sua área se tenha mantido intacta. É fácil encontrar sítios na Nova Zelândia sem postes de alta tensão, estradas ou qualquer outro vestígio humano.

Monte Sommers. Foto: Célia Mendes

Fazer caminhadas de vários dias é praticamente um desporto nacional, e um que pratico. Comecei a fotografar paisagem durante estas caminhadas.

Lago Mavora. Foto: Célia Mendes

Levo sempre a câmara comigo – para mim, sem fotografia, as caminhadas não fazem tanto sentido, para mim. Até quando compro uma lente nova ou um tripé faço-o sempre a pensar na melhor opção para levar numa caminhada – equipamento que seja versátil, leve e prático.

Glenorchy. Foto: Célia Mendes

A Nova Zelândia não tem, talvez, a variedade de paisagens que se encontra em países como os Estados Unidos ou a Venezuela, mas as que tem são de cortar a respiração – ou de fazer com que respiremos fundo e absorvamos para lá do que os olhos podem fazer.

Lago Ohau. Foto: Célia Mendes

Não é que não haja variedade – porque a há: desde fiordes fantásticos a glaciares majestosos aos quais se chega a pé, de planícies a perder de vista a montanhas com picos eternamente cobertos de neve e gelo.

Twizel. Foto: Célia Mendes

Há paisagens de uma beleza quase brutal, que se impõe de forma dramática, como a das montanhas da Fiordland; outras de montanhas e lagos com histórias de gigantes Maori adormecidos;

Lago Ohau. Foto: Célia Mendes

há paisagens de colinas ondulantes, que nos deleitam numa sensação de paz indescritível; há paisagens de selva tropical, com água a escorrer a jorros pelas encostas das montanhas abaixo

Lammermoor. Foto: Célia Mendes

há paisagens cobertas de tussocks (uma planta local que é melhor descrita como tufos de uma erva alta e fina), que nos transmitem uma sensação quase táctil de veludo.

Lindis Pass. Foto: Célia Mendes

São estas sensações, estas histórias que a Nova Zelândia me conta cada vez que olho para ela, que tento passar através dos “olhos” da minha câmara.

 Milford Sound, Fiordland. Foto: Célia Mendes

* Especialista em linguística; fotógrafa

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