A actriz

Muitos humanos têm uma certa fobia no que toca aos répteis – às cobras em particular.

Porquê? Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology (2001) sugere que este comportamento foi seleccionado ao longo da evolução humana. O cérebro tinha de ser eficaz em identificar répteis, pois alguns eram perigosos. Há outro factor que, actualmente, contribui para o medo que os humanos sentem perante estes bichos (ou perante imagens destes bichos): a forma negativa como os retratamos, como acontece em inúmeros filmes (mas não é esta a razão para o título do post).Assim, cientistas da Universidade Queensland, Austrália, mostraram que, de facto, o nosso cérebro é célere em detectar animais como aranhas e cobras, mas só os humanos com poucos conhecimentos sobre estes animais reagem de forma negativa (Emotion, vol. 7, nº2, 2007).

Se sentiu um calafrio ao ver esta imagem saiba que se trata da inofensiva cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix), espécie que vive na proximidade de cursos de água, lagoas e charcos, um pouco por todo o país.

O indivíduo da foto é um juvenil, com cerca de 30 centímetros. Os adultos podem atingir os 2 metros de comprimento, mas, em geral, medem cerca de 1,20 metros (as fêmeas são maiores do que os machos). O nome Natrix vem do Latim nare e significa nadar, o que esta espécie faz com distinção.

A cobra-de-água-de-colar alimenta-se de anfíbios, invertebrados e peixes, e é predada por aves de rapina (como o milhafre e a águia-cobreira) e mamíferos (como a geneta e a lontra). Para escapar aos predadores conta com vários mecanismos de defesa, como libertar um cheiro pestilento pela cloaca. Mas a técnica mais interessante é, sem dúvida, fingir que está morta (comportamento denominado de Tanatose), pois alguns predadores não consomem animais mortos.. Além de ficar imóvel, a Natrix natrix aumenta a credibilidade da sua actuação ao libertar algumas gotas de sangue pela boca (auto-hemorragia) e nariz.

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