A floração dos jacarandás

Todos os anos por esta altura (Maio e Junho) os meios de comunicação destacam a floração dos jacarandás (Jacaranda mimosifolia).

De facto, as manchas roxas que se estendem por várias ruas e avenidas de cidades como Lisboa são de incontestável beleza. E surgem novos padrões e perspectivas resultantes do contraste desta cor passageira com as permanentes estruturas e tonalidades urbanas.

Mas também há algo de tipicamente citadino e desconectado da natureza neste fascínio pelos jacarandás, como se esta explosão de cor seja a única forma pela qual as gentes apercebem-se e apreciam a mudança de estação e o ritmo do mundo natural.

Vale a pena olhar para os jacarandás, por exemplo, da Av. 5 de Outubro nos outros meses do ano, e ver como são frequentemente visitados por trepadeiras-comuns, que buscam alimento nos seus troncos rugosos, chapins e gaios; ou como os seus ramos despidos criam novos padrões com as decorações arquitectónicas dos edifícios;

ou como os frutos usados no artesanato são duros e as folhas são compostas por 25 a 30 pares de folíolos.

Este ano a floração acentuou a “desertificação” da 5 de Outubro. A avenida onde antes era impossível encontrar um lugar para deixar o carro, reflecte o desemprego crescente no país em cada vaga de estacionamento.

Assim, os que ainda estacionam no centro da cidade, fogem das flores pegajosas que caem das árvores e estragam a pintura dos carros, e deixam os carros nas ruas perpendiculares à avenida.

A 5 de Outubro, sob o efeito dos jacarandás, lembra Lisboa em Agosto, nos anos 80: vazia.

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