A flor do submundo

Segundo a mitologia, o abrótea (Asphodelus ramosus), também conhecido por gamão e abrótea-da-primavera, era a flor preferida dos mortos e ornava o Hades, o submundo. Por isso os gregos costumavam plantá-lo em cemitérios.

O género Asphodelus, de pronúncia traiçoeira, contém várias espécies nativas da região mediterrânica. Uma delas é o abrótea-fina (Asphodelus fistulosus) – na imagem –, que habita terrenos baldios e áreas sujeitas a perturbação, como beiras de estrada.

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Folhas que brotam da pele

Depois da performance “Agarrando Emoções” (2006) a fotógrafa Lina Eichenwald volta a Portugal com “Efémera e (im)permanente”, exposição patente no Museu da Água, em Lisboa, até 14 de Julho.

Os reflexos, intrigam-me e perseguem-me há imenso tempo, como a efemeridade da nossa própria (im)permanência. Somos, mas não somos. Ido o nosso corpo, partimos nós junto com ele? E a imagem real? Somos nós reais? Ou é tudo uma ilusão do momento? Os meus reflexos são capturados numa fracção de segundo. O que o espectador vê, é o que a câmara vê, uma só imagem, não há sobreposição. Enquanto o corpo se reflecte no vidro, a pele funde-se na folhagem. Ou…talvez as folhas brotem na pele. Tudo tão ilusório quanto a nossa própria (im)permanência”,

considera a autora nascida no Egipto, mas criada na Argentina. Actualmente, e depois de uma passagem pelo Brasil, Eichenwald reside em Miami, nos Estados Unidos. Continue reading

Ecoturismo inclusivo

Para que saibam que existe e, no caso de poderem, contribuírem para que mais pessoas desfrutem da natureza. Cito:

experience.NATURE – ecoturismo inclusivo é um projecto de responsabilidade social desenvolvido pela Desafio das Letras que tem como objectivo permitir que pessoas com mobilidade reduzida possam participar em passeios em ambientes que habitualmente evitam: caminhos rurais sem acesso automóvel, trilhos pedestres ou mesmo, em extensões limitadas, campo e matas sem caminho definido (…)

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Da cor da esperança (ou da inveja)

O bico grosso revela o principal prato da dieta do verdilhão-comum (Carduelis chloris): sementes. Este pássaro que mede cerca de 15 centímetros distingue-se facilmente pelo tom esverdeado da plumagem, pincelada por zonas amarelas (nas penas primárias e bordos da cauda).

Habita áreas agrícolas e zonas abertas com alguma vegetação, onde por vezes forma bandos fora da época de reprodução. Também é comum em parques e jardins. O canto inclui notas estridentes.

A Rainha das borboletas

A borboleta-monarca (Danaus plexippus) mede uns imponentes 10 centímetros de envergadura. É oriunda da América, mas as longas migrações de 150 milhões destas borboletas entre o Canadá e o México tornaram-na famosa em todo o mundo. Nenhum indivíduo completa a viagem de ida e volta, o que só enaltece a capacidade do GPS imbuído no seu código genético.

 

 No entanto, a foto abaixo foi tirada em Silves, no Algarve. De facto, a espécie está a colonizar o nosso país – talvez desde 1998 – e passa cá todo o ano, pondo de lado os impulsos migratórios.

R.I.P. Solitario George (c.1910-2012)

O fim de um símbolo da conservação nas Galápagos, Equador. A tartaruga-gigante George Solitário era o último indivíduo da sub-espécie Chelonoidis nigra abingdoni. Morreu ontem de causas desconhecidas. Tinha mais de 100 anos e poderia chegar aos 200 anos. Os esforços para o cruzar com uma fêmea proveniente de uma ilha próxima falharam. “O seu legado será um maior esforço e mais investigação para restaurar as populações de tartarugas gigantes na Ilha Pinta e nas outras ilhas do arquipélago das Galápagos”, Informou a direcção do Parque Nacional das Galápagos.

“O Pesadelo de Darwin”

Mais do que um documentário sobre uma tragédia ecológica, Darwin’s Nightmare (2004), do austríaco Hubert Sauper, é um retrato dramático de uma era. O filme passa nos jardins da sede da Liga para a Protecção da Natureza, em Lisboa, a 9 de Agosto, e insere-se no Ciclo de Cinema Ambiental, que começou a 14 de Junho. A entrada é gratuita.

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E se não houvesse pardais?

O pardal (Passer domesticus) dispensa apresentações. Damos como garantida a sua presença nas nossas cidades. Mas o que aconteceria se ele desaparecesse? O cenário parece pouco plausível. No entanto, foi exactamente o que aconteceu em Londres, Inglaterra.

Foto: Luís Miguel Fernandes

Se nas áreas rurais o efectivo da espécie diminui para metade desde os anos 70, nas cidades sofreu uma queda de 60%. Um estudo de 2002 realizado pela Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) – maior organização de conservação da natureza da Europa com 1 milhão de membros e 20 000 voluntários – concluiu que a ave estava praticamente extinta no centro da capital inglesa, onde anos antes era abundante. Na altura 10 000 londrinos participaram na iniciativa “Para onde foram todos os pardais?”. Agora, de 18 de Junho a 12 de Julho, os habitantes da cidade e várias ONGA (organização não governamental ambiental) voltam a unir esforços numa tentativa de mapear eventuais avistamentos da espécie, na esperança de que ainda seja possível recuperá-la. Continue reading

O Borrelho anafado

O borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula) é uma limícola comum no nosso país, fácil de observar em praias e estuários, e também em salinas e lagoas costeiras. Nesta época há poucos indivíduos em Portugal. O maior número regista-se durante o Inverno, mas em meados de Julho (e no início da Primavera) surgem os migradores que fazem uma paragem em terras lusas.

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Descubra as diferenças!

A Malhadinha (Pararge aegeria) é uma borboleta laranja e castanha, muito territorial, comum em parques e jardins.

À primeira vista é semelhante à Borboleta-do-bosque (Lasiommata megera), mas há diferenças nas pintas e padrões das asas.

As populações de L. megera no Reino Unido estão em declínio, de tal modo que antes a espécie ocupava todo a Inglaterra, País de Gales e Irlanda, e actualmente restringe-se à linha costeira. Continue reading