Apontar na direcção certa

Desde que mudou a hora chego a casa ainda com o Sol a brilhar. Quase todos os dias, a escassos metros da entrada da estação, cruzo-me com este rabirruivo-preto (Phoenicurus ochrurus), que parece observar os humanos que passam. Ninguém repara nele. A não ser que, como aconteceu há dois dias, eu pare para o fotografar. Então começo a ouvir atrás de mim comentários de várias pessoas: “É o quê?”; “É um passarinho”; “Tão giro” ou “tem o rabo laranja”. (Obviamente, referindo-se ao dito passarinho). Nesta e noutras situações semelhantes reparo que muitos transeuntes detêm-se a olhar para o bicho que estou a fotografar. E parecem satisfeitos. Para alimentar esta curiosidade seria útil que, pelo menos nos jardins de maiores dimensões das cidades, houvesse indicações sobre as espécies de animais e plantas mais fáceis de observar no local.

Já agora, confesso que tenho certa empatia pelo rabirruivo-preto. A razão é simples: na universidade, as aulas práticas da cadeira de Ecologia Animal foram condensadas numa semana… passada nas Berlengas, e o meu trabalho foi sobre a ecologia e abundância (contámos cerca de 20 casais) do rabirruivo-preto, único pássaro que nidifica naquele arquipélago, nas escarpas que cercam a ilha.

O rabirruivo-preto é um insectívoro, como se pode aferir pelo bico fino e de aspecto frágil. Tem o tamanho de um pardal. O macho é preto, tem uma mancha branca na asa e a cauda de tom ferrugíneo. A fêmea é castanha e também tem a cauda ferrugínea.

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