Os pilares da ponte

Já viram a nova decoração das sapatas da Ponte 25 de Abril, em Lisboa? A Estradas de Portugal inspirou-se nos recentes avistamentos de golfinhos no Tejo e incluiu pinturas de golfinhos, alfaiates, orcas, flamingos e maçaricos nos trabalhos de revestimento de proteção das sapatas (fotos em baixo).

A razão pela qual os golfinhos estão a entrar mais vezes no Tejo não é clara:

– “A poluição do Tejo tem melhorado muito, o que se constata pela observação de espécies sensíveis, como caranguejos, bivalves e alguns peixes. O estuário do rio poderá voltar a ter colónias de golfinhos nos próximos 30 anos”, disse Maria José Costa, do Instituto de Oceanografia, ao Diário de Notícias.

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Borboleta-zebra

Durante o voo as asas da borboleta-zebra (Iphiclides feisthamelii) parecem dois triângulos amarelos com riscas pretas. Mas quando poisa conseguimos ver as manchas azuis e vermelhas que adornam a parte inferior da asa.

Mede entre 6 e 8 centímetros de envergadura. Alimenta-se principalmente de árvores de fruto, como o pessegueiro, a pereira e o abrunheiro. Existe em Portugal, Espanha, Marrocos, Argélia e Tunísia.

Tirei esta foto junto ao metro de Odivelas, numa área ajardinada, com abrunheiros.

“O olho é o melhor dos artistas”

130 anos sem Ralph Waldo Emerson (25/05/1803 – 27/04/1882).

“The ancient Greeks called the world {kosmos}, beauty. Such is the constitution of all things, or such the plastic power of the human eye, that the primary forms, as the sky, the mountain, the tree, the animal, give us a delight in and for themselves; a pleasure arising from outline, color, motion, and grouping. This seems partly owing to the eye itself. The eye is the best of artists”.

 

“Os Gregos antigos chamavam ao mundo ‘cosmos’, beleza. Tal é a constituição de todas as coisas ou tal é o poder plástico dos olhos humanos, que as formas primárias como o céu, a montanha, a árvore, o animal, nos proporcionam um grande prazer em si e por si mesmos, um prazer que decorre do contorno, da cor, do movimento e das formas agrupadas em conjunto, o que parece ser devido, em parte, aos próprios olhos. O olho é o melhor dos artistas”.

Ralph Waldo Emerson, in “Nature”, 1836

“Os homens são todos iguais”

Jerry Seinfeld acha que o smoking é um dispositivo de segurança para casamentos. A ideia subjacente é o ponto de vista das mulheres de que “os homens são todos iguais”. Se o noivo se amedronta, é só escolher outro homem qualquer, e a festa continua.

A verdade é que elas têm uma certa razão na medida em que têm mais diversidade do que eles. Desde logo porque o cromossoma X tem 1 098 genes, enquanto que o Y apenas tem 78 (o sexo feminino é determinado pela presença de dois cromossomas X, e o masculino pela presença de um X e de um Y). Pensava-se que um dos X da mulher estava inactivo, mas a investigação dos norte-americanos Laura Carrel e Huntington Willard mostrou que não é bem assim. Num artigo publicado na revista Nature, em 2005, onde compararam a expressão de 624 genes dos dois cromossomas X de uma célula, concluíram que 15% dos genes supostamente “silenciados” escapavam à inactivação, e que outros 10% também estavam activos, mas só em algumas amostras.

Nos gatos é fácil identificar o efeito desta dupla expressão genética. A chamada pelagem tartaruga, característica das fêmeas, que apresenta manchas de pêlos de cor diferente (na foto).

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De malas aviadas

Quem quiser observar o pato-trombeteiro (Anas clypeata) tem mais ou menos até ao final deste mês para o fazer, ou então terá de esperar pelo regresso desta ave, em Agosto.

Também poderá encontrá-lo durante o ano todo no sul do país, mas aí terá de ter uma pontinha de sorte, já que a população que nidifica em Portugal é inferior a 50 indivíduos. Por esta razão os animais residentes têm o estatuto de conservação Em Perigo. Os visitantes migradores têm estatuto de Pouco Preocupante.

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A propósito do lobo encontrado há 2 dias

A GNR informou que no dia 22 recolheu um jovem lobo-ibérico (Canis lupus signatus) que estava “preso por uma pata num laço usado na caça ilegal” (na imagem – foto da GNR), no concelho de Montalegre. O lobo será tratado e libertado no Parque Nacional da Peneda Gerês. A GNR também encontrou uma cabra-montês (Capra ibex) que fora abatida de forma ilegal.

A GNR ainda não revelou em que contexto é que o lobo foi capturado. Imagens que circulam na net sugerem que estava preso junto à estrada, perto de habitações. No pouco tempo que trabalhei no campo cruzei-me com várias pessoas que tinham, ou tiveram, animais selvagens em cativeiro (lebres, raposas, corujas, mochos, genetas).

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Vale a pena protestar

O melro-preto (Turdus merula) é uma das aves mais fáceis de identificar. “Toda a gente sabe que ele é negro, e que seu bico se torna amarelo com a idade”, escreveu o naturalista francês Pierre Belon, em 1555. Convém acrescentar que as fêmeas e os juvenis são de cor castanha.

Também convém recordar o episódio surreal ocorrido o ano passado em torno desta espécie, e que revela como políticos com responsabilidade directa pela natureza têm um desconhecimento profundo de como funciona um ecossistema. Em resumo, o anterior governo decidiu permitir a caça ao melro para “aliviar os trabalhos dos serviços da Autoridade Florestal Nacional na atribuição de licenças de espantamento”. Ou seja, o coitado do bicho era um empecilho à papelada. Ambientalistas, caçadores e cidadãos uniram-se contra esta medida. Uma petição pública com mais de 6 000 assinaturas foi entregue ao novo executivo que, em Agosto, retirou o melro da lista de espécies que se podem caçar.

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Planeta enclausurado

Neste Dia Mundial da Terra proponho olhar para o… espaço. Isto porque a nossa espécie, além de poluir cá por baixo, também anda a poluir e a provocar estragos lá por cima.

O lixo no espacial é composto por objectos que já não funcionam fabricados pelos humanos, o que inclui equipamentos inactivos, como satélites e tanques de combustível, materiais perdidos durante as missões, e detritos provenientes de explosões e colisões de naves, sondas e satélites. Estes resíduos ameaçam os equipamentos funcionais e os próprios astronautas. Nas órbitas baixas (entre 350 e 1.400 km acima da superfície da Terra) estes detritos viajam a 28.164 km/h.

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Omnipresentes por um dia

E se pudéssemos ver tudo o que se passa no planeta num período de 24 horas? One day on Earth (Um dia na Terra) filme com estreia internacional marcada para amanhã, 22 de Abril (Dia Mundial da Terra) faz isso mesmo. O projecto megalómano de Kyle Ruddic e Brandon Litman é o resultado de 3 000 horas de filmagens realizadas por mais de 19 000 pessoas, em todo o mundo, no dia 10 de Outubro de 2010. O filme é patrocinado pelas Nações Unidas e por 60 organizações sem fins lucrativos. A estreia ocorre em várias localidades, em mais de 160 países. As sessões são gratuitas. Lista de locais onde pode ver o filme, aqui.

Vejam o trailer:

http://vimeo.com/37157765

Post convidado

“Animais e Humanos”, por Margarida Girão*

Para esta série de retratos – “Animais e Humanos” – pedi a amigos no facebook que me enviassem as fotos dos seus perfis.

No meu trabalho sou influenciada pela natureza e por todos os animais.
No primeiro caso, por causa das cores, das formas, e do cheiro, o qual não se sente nas colagens, mas eu sei que ele existe. No segundo, ‘só’ porque gosto deles.
Recorro a ambos porque tento aproveitar a minha paixão também como forma de relembrar os direitos ‘deles’ e os nossos deveres – de maneira subtil, é certo, mas a intenção está sempre lá.

*Licenciada em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Site: www.margaridagirao.com

Um olhar artístico

A ilustradora e webdesigner Margarida Girão é a próxima autora do “Post Convidado”. As suas colagens já ilustraram páginas de vários jornais e revistas, tanto em Portugal (Gingko, Visão júnior, jornal i, Dinheiro Vivo, etc.), como lá fora (a norte-americana Adweek, a brasileira TPM, etc.). “As colagens da Margarida não são apenas corte & costura em peças soltas, ela injecta-lhes uma controlada e sábia dose de humor com travo a provocação e revelam como ela é de facto: mulher e artista, tentadora e estimulante. Arte com toque feminino não seria logo o que me viria à cabeça, mas mais uma refrescante atitude perante tudo o que nos orbita. É assim, a Girão”, escreveu Rafael Vieira, arquitecto e editor da revista online Le Cool Lisboa.

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Aos ombros de Whitman

Walt Whitman (1819-1892) é O poeta da natureza. Sem ele muito seria diferente. Faltariam liberdade à poesia, fundamentos aos ecologistas, irreverência aos anos 60, e até um interlocutor a Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa: “De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma”.

Leaves of Grass (Folhas de Erva, Assírio e Alvim, 2003), conjunto de poemas editado em 1855, é a sua obra que revela maior intimidade com a natureza. Eis um excerto do poema Song of Myself:

I think I could turn and live awhile with the animals… they are so placid and self-contained,
I stand and look at them sometimes half the day long,
They do not sweat and whine about their condition,
They do not lie awake in the dark and weep for their sins,
They do not make me sick discussing their duty to God,
Not one is dissatisfied… not one is demented with the mania of owning things,
Not one kneels to another nor to his kind that lived thousands of years ago,
Not one is respectable or industrious over the whole world.

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